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EUA sobrevoam Irã com bombardeiros nucleares B-52 pela primeira vez na guerra
Pentágono confirma incursão em território iraniano; movimento sinaliza confiança na degradação das defesas aéreas do Irã após mais de 11 mil ataques
Oriente-Medio
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTYbgbCCOCoRHKCXfhdIwHk5g7V8I3fdJEdhg&s
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■   Bernardo Cahue, 01/04/2026

Os Estados Unidos realizaram, nesta terça-feira (31), a primeira operação com bombardeiros estratégicos B-52 Stratofortress sobrevoando o território do Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O anúncio foi feito pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e pelo general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, em uma coletiva de imprensa no Pentágono, a primeira sobre o conflito em quase duas semanas.

Segundo os comandantes, a decisão de utilizar os bombardeiros — aeronaves de grande porte que dependem menos de furtividade e mais de supremacia aérea — reflete a avaliação de que as capacidades de defesa aérea do Irã foram significativamente degradadas após um mês de ataques combinados dos EUA e de Israel. "Dada a crescente superioridade aérea, começamos com sucesso a conduzir as primeiras missões B-52 sobre terra, o que nos permite continuar a nos sobrepor ao inimigo e mudar para alvos cada vez mais dinâmicos", afirmou o general Caine durante a coletiva.

O movimento marca uma mudança tática na campanha. Até agora, as forças americanas dependiam principalmente de aeronaves stealth e de alta velocidade, como os bombardeiros B-2 e B-1, para realizar incursões no espaço aéreo iraniano. A entrada dos B-52, considerados vulneráveis contra sistemas antiaéreos modernos, demonstra a confiança de Washington de que a ameaça de mísseis superfície-ar iranianos foi neutralizada ou severamente reduzida.

Objetivos da Operação e Escala dos Ataques
O general Caine detalhou que as forças americanas já realizaram mais de 11.000 ataques contra alvos no Irã desde o início da "Operação Epic Fury". O foco atual das operações é interromper e destruir as cadeias de suprimentos que abastecem os programas de mísseis, drones e construção naval iranianos, sufocando a capacidade do país de repor os arsenais destruídos pelos bombardeios. O secretário Hegseth destacou que os ataques recentes se concentraram em Isfahan, um centro estratégico que abriga instalações de produção de armas e o principal complexo nuclear do país, onde grandes depósitos de munição foram alvejados.

Apesar da intensificação da campanha, Hegseth alertou que o Irã ainda mantém uma capacidade significativa de retaliar através de mísseis e drones lançados de seu território ou por meio de grupos aliados na região. "Eles vão disparar alguns mísseis; nós os derrubaremos", afirmou o secretário, adotando um tom cauteloso em meio à demonstração de força.

Reações Imediatas e Impacto Regional
A ofensiva aérea ocorreu simultaneamente a novos ataques iranianos contra alvos nos países do Golfo. Um navio-tanque de petróleo do Kuwait foi atingido por um drone no porto de Dubai, e autoridades da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos relataram a interceptação de múltiplos mísseis e drones. Os Emirados Árabes Unidos informaram que suas defesas aéreas enfrentaram oito mísseis balísticos, quatro mísseis de cruzeiro e 36 drones em um único ataque.

Em uma escalada retórica significativa, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã emitiu um comunicado ameaçando 18 empresas americanas, incluindo Apple, Google e Meta, afirmando que a partir de agora as "principais instituições envolvidas em operações militares" serão consideradas alvos legítimos. O comunicado pediu que funcionários dessas empresas em toda a região deixem seus locais de trabalho.

Desafios Diplomáticos e Divergências entre Aliados
Enquanto a campanha militar se intensifica, o presidente Donald Trump tem pressionado aliados europeus para que participem mais ativamente do esforço de guerra. Em uma publicação na Truth Social, Trump criticou nações que "se recusaram a se envolver na decapitação do Irã" e sugeriu que os países europeus deveriam "aprender a lutar por si mesmos" para reabrir o Estreito de Ormuz, vital para o fornecimento global de petróleo.

A pressão americana encontrou resistência. A Espanha confirmou que negou permissão para que aeronaves militares dos EUA envolvidas no conflito utilizassem seu espaço aéreo e bases militares. A ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, declarou que a decisão está alinhada com a posição do governo de não fazer "nada" que possa escalar as tensões no Oriente Médio, classificando a guerra como uma ação que viola o direito internacional.

Enquanto isso, no Líbano, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, delineou planos para uma ocupação mais ampla do sul do país até o rio Litani, após o fim da guerra, sinalizando uma potencial expansão do conflito além das fronteiras iranianas. As autoridades israelenses afirmaram que centenas de milhares de residentes libaneses não poderão retornar às suas casas até que a segurança no norte de Israel seja garantida.

Quadro Humanitário e Econômico
O impacto humanitário do conflito se aprofunda. De acordo com a agência de ativistas de direitos humanos, pelo menos 1.574 civis foram mortos no Irã, incluindo 236 crianças. No Líbano, mais de 1.260 pessoas perderam a vida, e 13 militares americanos morreram desde o início das hostilidades. Economicamente, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) alerta que um mês de guerra pode jogar mais 4 milhões de pessoas na pobreza em todo o mundo árabe e reduzir em até 6% a produção econômica da região.

Apesar dos pesados custos, o secretário Hegseth afirmou que os Estados Unidos estão "mais perto do que nunca da vitória", embora tenha se recusado a dar um prazo para o fim das operações. Paralelamente, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, mantém contatos com o Irã, que, no entanto, nega que haja negociações formais em andamento, rejeitando as condições americanas para um cessar-fogo.

Com informações de The New York Times, WION, TASS, The Seattle Times, Xinhua, Anadolu Ajans? e The Washington Times ■

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