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Irã bombardeia refinaria israelense em Haifa e provoca incêndio de grandes proporções
Ataque com mísseis e drones atinge instalações estratégicas de petróleo no norte de Israel pelo segundo vez em um mês; defesa civil contém chamas, mas cenário eleva tensão global e preço do barril de petróleo
Oriente-Medio
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQFowT7XUMkxzBRI2C34zgzrALrqyB_zrdANQ&s
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■   Bernardo Cahue, 30/03/2026

Nesta segunda-feira (30), um novo ataque orquestrado pelo Irã contra o território israelense atingiu em cheio a refinaria de petróleo Bazan, localizada na cidade portuária de Haifa, no norte do país. O bombardeio, que combinou um “barragem de mísseis” lançados a partir do território iraniano e do Líbano — onde atua o grupo Hezbollah, aliado de Teerã —, provocou um incêndio de grandes proporções na unidade, enviando uma densa fumaça preta que pôde ser vista a quilômetros de distância .

Imagens veiculadas pela imprensa internacional, incluindo registros da agência France-Presse (AFP) e do Canal 12 de Israel, mostram chamas intensas envolvendo um dos tanques da refinaria. O Corpo de Bombeiros e o serviço de resgate israelense atuaram rapidamente para conter o fogo, que foi controlado após algumas horas. Até o momento, não há relatos oficiais de vítimas fatais ou feridos no incidente, embora o susto tenha causado pânico entre os moradores das regiões próximas, como Krayot e Shfaram, que também relataram danos materiais causados por estilhaços de mísseis interceptados .

Este é o segundo ataque significativo contra a mesma refinaria de Haifa desde o início do conflito declarado entre Israel e os Estados Unidos contra o Irã, em 28 de fevereiro. As instalações da Bazan são consideradas estratégicas, uma vez que Israel possui apenas duas refinarias em operação em todo o seu território, sendo Haifa uma das mais críticas para o abastecimento interno .

Contexto regional e impacto geopolítico

O bombardeio em Haifa faz parte de uma escalada mais ampla que já se estende por mais de um mês. O que começou como uma ofensiva aérea dos EUA e de Israel contra instalações militares e energéticas no Irã — incluindo ataques ao campo de gás South Pars e à ilha de Kharg, responsável por 90% das exportações de petróleo iranianas — rapidamente se transformou em uma guerra regional .

Teerã, sob a liderança do novo guia supremo, Mojtaba Khamenei (sucessor de Ali Khamenei, morto em um ataque anterior), prometeu manter o estreito de Ormuz fechado e tem atacado não apenas Israel, mas também infraestruturas críticas nos países do Golfo Pérsico . Nas últimas 24 horas, além do ataque a Haifa, fontes oficiais relataram:

  • Kuwait: Ataque a uma usina de energia e dessalinização matou um trabalhador e feriu 10 soldados ;
  • Arábia Saudita: Interceptação de cinco mísseis que visavam a província oriental, rica em petróleo ;
  • Emirados Árabes Unidos: Ataques a instalações em Fujairah e o breve fechamento do espaço aéreo de Dubai devido à ameaça de drones e mísseis ;
  • Iraque: Ataques à embaixada dos EUA em Bagdá e a hotéis na Zona Verde .

Crise energética global e preços do petróleo

A continuidade dos ataques a infraestruturas energéticas no Oriente Médio tem gerado um efeito dominó na economia global. Com o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, efetivamente bloqueado ou operando com severas restrições devido às ameaças iranianas, o preço do petróleo Brent disparou. Na manhã de segunda-feira, o barril era negociado em torno de US$ 115, um salto de quase 60% desde o início da guerra em fevereiro .

As consequências são sentidas nos bolsos dos consumidores ao redor do mundo. No Reino Unido, o preço da gasolina ultrapassou a marca de 150p por litro pela primeira vez em quase dois anos, e a escassez de abastecimento já começa a afetar postos de combustível em países como Filipinas e Bangladesh, que dependem das importações da região .

Diplomacia e possibilidade de cessar-fogo

A despeito da intensificação dos bombardeios, bastidores diplomáticos estão em movimento. O Paquistão anunciou que sediará “nos próximos dias” conversas entre os Estados Unidos e o Irã, embora não esteja claro se as negociações serão diretas ou indiretas. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista ao Financial Times que o país está negociando “direta e indiretamente” com Teerã, mas manteve um tom de ameaça ao sugerir a possibilidade de tomar a ilha de Kharg (Irã) “para sempre” se as conversas não avançarem .

Enquanto isso, o porta-voz do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, rejeitou as negociações mediadas pelo Paquistão como uma “cobertura” para aumentar a presença militar dos EUA na região, afirmando que as forças iranianas estão prontas para punir os “parceiros regionais” dos americanos .

Reações e desdobramentos

Analistas apontam que o cenário atual coloca os países do Golfo em uma posição delicada. Inicialmente relutantes em se juntar à guerra, nações como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos agora enfrentam pressão interna e externa para responder aos ataques diretos do Irã contra suas próprias instalações. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, há um sentimento generalizado entre os líderes do Golfo de que “o Irã cruzou todas as linhas vermelhas” e que a única saída é uma degradação significativa da capacidade militar iraniana .

Em Israel, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu indicou que a invasão terrestre no Líbano será ampliada, expandindo a “faixa de segurança” existente no sul do país para neutralizar o Hezbollah, que também participou do bombardeio desta segunda-feira . O conflito já deixou mais de 1.900 mortos no Irã, mais de 1.200 no Líbano e 19 em Israel, além de 13 soldados americanos mortos desde o início das hostilidades .

Com o impasse militar e o caos humanitário se instalando em várias frentes, a comunidade internacional observa com apreensão os próximos dias, que podem ser decisivos para determinar se a região caminha para um cessar-fogo negociado ou para uma escalada ainda mais violenta e imprevisível.

Com informações de Anadolu Ajans?, Republic World, Mid-day, Reuters, BBC News, The Times of Israel, Al Jazeera, Haaretz ■

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