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Em meio ao avanço do conflito que completa um mês no domingo (29), o Irã emitiu sua mais contundente ameaça contra uma possível invasão terrestre dos Estados Unidos. O porta-voz do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que as forças armadas do país estão prontas para “colocar fogo” nos soldados americanos e punir “aliados regionais” caso haja qualquer tentativa de avanço por terra. A declaração surge simultaneamente à realização de uma reunião de alto nível em Islamabad, onde os chanceleres de Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito buscam uma saída diplomática para a crise que já abalou as estruturas energéticas e de segurança do Oriente Médio.
A tensão escalou nas últimas horas após a chegada de um contingente militar significativo dos EUA à região. O navio de assalto anfíbio USS Tripoli, transportando cerca de 3.500 fuzileiros navais e marinheiros, posicionou-se no Oriente Médio, alimentando especulações sobre operações terrestres limitadas. Segundo relatos do jornal The Washington Post, o Pentágono elaborou planos para potenciais incursões, incluindo alvos sensíveis como a Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano, e locais costeiros próximos ao Estreito de Ormuz.
Em resposta, Ghalibaf foi enfático ao descartar qualquer sinal de recuo. “O inimigo publicamente envia mensagens de negociação e diálogo, enquanto secretamente planeja um ataque terrestre”, afirmou o porta-voz em comunicado veiculado pela agência oficial IRNA. “Nossos homens estão esperando a chegada dos soldados americanos em solo para incendiá-los e punir seus aliados regionais de uma vez por todas”, completou, acrescentando que os mísseis estão em posição e a determinação iraniana aumentou.
Paralelamente às movimentações militares, a diplomacia regional ganhou força. Nesta segunda-feira (30), Islamabad sedia uma reunião quadripartite entre os ministros das Relações Exteriores do Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito. A reunião, presidida pelo chanceler paquistanês Ishaq Dar, tem como foco a redução das tensões, a segurança das rotas marítimas e a prevenção de uma crise humanitária de maiores proporções. Analistas apontam que a iniciativa reflete o papel ativo das principais nações muçulmanas em tentar conter um conflito que já ameaça a estabilidade global.
O contexto do encontro é marcado por uma série de ataques recíprocos que intensificaram os danos à infraestrutura crítica da região. Na sexta-feira (27), um ataque iraniano com mísseis e drones à base Prince Sultan, na Arábia Saudita — que abriga forças americanas — feriu pelo menos 15 soldados dos EUA, cinco deles em estado grave, segundo relatos da Associated Press. As imagens de satélite divulgadas pela imprensa iraniana mostraram a destruição de aeronaves de reabastecimento KC-135 e um sistema de radar E-3 Sentry (AWACS), considerados peças-chave para o controle do espaço aéreo na região.
As perdas militares americanas desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, são significativas. Além dos mais de 300 feridos e 13 mortos em combate, relatos indicam a perda de 12 drones MQ-9 Reaper e danos extensos a sistemas de defesa antimísseis THAAD em bases na Jordânia e nos Emirados Árabes. O Irã também reivindicou ataques a navios de apoio e infraestruturas de energia, mirando especificamente refinarias no Bahrein e Emirados, que resultaram em feridos e danos materiais.
A resposta de Teerã não se limitou ao campo de batalha. O porta-voz da ala militar iraniana, Ebrahim Zolfaghari, emitiu um ultimato público exigindo que os Estados Unidos condenem os ataques a universidades iranianas. Caso contrário, a Guarda Revolucionária ameaçou considerar “alvos legítimos” as universidades israelenses e os campi de universidades americanas espalhados pela região do Golfo, ordenando a evacuação desses locais em um prazo de 24 horas.
Em meio à retórica de guerra, persiste um cenário de incerteza diplomática. Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que há conversas em andamento e que uma reunião de paz poderia ocorrer em breve, autoridades iranianas negam negociações diretas. Um plano de 15 pontos, mediado pelo Paquistão e entregue a Teerã, foi descartado por Ghalibaf como uma tentativa de obter por meio de acordos o que os EUA não conseguiram com força militar. “Enquanto os americanos buscarem a rendição do Irã, nossa resposta é clara: longe de nós aceitar a humilhação”, sentenciou o porta-voz.
O conflito, que já matou pelo menos 1.900 iranianos e feriu mais de 18 mil, segundo autoridades de saúde locais, também ampliou o campo de batalha para além do Golfo. Ataques israelenses no Líbano mataram paramédicos e jornalistas, enquanto os houthis do Iêmen, aliados do Irã, reivindicaram ataques com mísseis contra Israel, levantando o temor de que a rota do Mar Vermelho seja novamente fechada ao tráfego marítimo internacional, repetindo a crise enfrentada durante a guerra em Gaza.
Com o Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial, praticamente bloqueado para embarcações associadas aos EUA e Israel, os países do Golfo têm sido forçados a redirecionar suas exportações por oleodutos alternativos para o Mar Vermelho e o Golfo de Omã, em uma tentativa de contornar a paralisia econômica imposta pelo conflito.
Com informações de Al Jazeera, Reuters, Associated Press, Daily Times, Hum News, News On AIR, Telangana Today, Naharnet, Bangladesh Sangbad Sangstha ■