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Cisjordânia é denunciada como "zona de estupro"
Casos de violência sexual cometidos por colonos israelenses contra palestinos vêm crescendo, e contam com apoio moral e por vezes participação de soldados das forças israelenses
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 19/03/2026

A violência na Cisjordânia ocupada atingiu um novo patamar de atrocidade. Denúncias de ataques sexuais sistemáticos contra palestinos, cometidos por colonos israelenses sob a proteção ou com a conivência de militares, levaram organizações de direitos humanos e a própria ONU a classificar a região como uma zona de impunidade para crimes de guerra sexuais. O caso mais chocante e recente ocorreu na comunidade beduína de Khirbet Humsa, no norte do Vale do Jordão, onde um ataque de colonos mascarados expôs a brutalidade do que analistas chamam de estratégia de limpeza étnica.

Na madrugada de 13 de março de 2026, dezenas de colonos israelenses invadiram a área rural. O alvo principal foi Suhaib Abualkebash, um pastor de 29 anos. Segundo relatos da vítima à imprensa internacional, corroborados por familiares e ativistas de direitos humanos presentes no local, os agressores o imobilizaram e o despiram à força. Em seguida, usaram um lacre de plástico (zip tie) para amarrar seu pênis, arrastando-o pela vila e espancando-o enquanto ele estava nu e amarrado. “Eu pensei que fosse morrer. Isso é uma morte lenta. Fazer isso com um homem é matá-lo”, disse sua esposa, Niama Abualkebash, ao The New York Times.

O ataque não se limitou à vítima principal. Testemunhas descreveram uma cena de terror generalizado:

  • Violência contra crianças e mulheres: Colonos entraram nas tendas enquanto as famílias dormiam, arrastaram mulheres pelos cabelos, bateram e chutaram crianças. Uma criança de três anos foi arrancada de sua cama pelo pijama e jogada no chão. Os agressores ameaçaram matar as crianças e estuprar as mulheres caso os palestinos não deixassem a região.
  • Apoio e participação de forças israelenses: A ministra das Relações Exteriores da Palestina, Varsen Aghabekian Shahin, denunciou que os ataques de colonos ocorrem "sob a proteção direta do exército israelense". Em muitos casos, soldados não apenas protegem os colonos, mas participam ativamente das incursões ou fecham os olhos para a violência. O clima de impunidade é total: colonos recebem armas do Estado, usam uniformes militares e raramente são processados.
  • Roubo e destruição: Os colonos roubaram 400 ovelhas, a única fonte de renda da família Abualkebash, além de joias, dinheiro e documentos. Câmeras de segurança foram destruídas e pertences saqueados.

Este é apenas um episódio de uma onda de violência que se intensificou desde o início da guerra entre Israel e Irã, em 28 de fevereiro de 2026. De acordo com o grupo israelense de direitos humanos B’Tselem, entre 28 de fevereiro e 14 de março, colonos e forças israelenses mataram 13 palestinos só na Cisjordânia. A organização acusa Israel de usar a "capa da guerra" para acelerar a limpeza étnica no território ocupado.

A violência sexual, no entanto, não é uma novidade, mas sim uma tática sistemática. Um relatório da Comissão de Inquérito da ONU, divulgado em março de 2025, já detalhava o uso de violência sexual e de gênero por forças israelenses e colonos como parte de uma "estratégia mais ampla para minar a autodeterminação palestina, aterrorizando e oprimindo a população". O documento aponta que atos como estupro e violência genital são cometidos sob ordens explícitas ou com incentivo implícito da liderança civil e militar de Israel, configurando "atos genocidas" ao destruir a capacidade reprodutiva dos palestinos como grupo.

Em um comunicado conjunto, a polícia e o exército de Israel afirmaram que investigam o caso e "condenam veementemente incidentes de violência e crime". No entanto, ativistas e moradores locais afirmam que a confiança na justiça israelense é nula, pois a impunidade para crimes de colonos é a regra. "Os palestinos já estão sendo limpeza étnica em grandes partes da Cisjordânia e espremidos em bolsões cada vez menores e mais isolados", disse Max Rodenbeck, diretor para Israel-Palestina do International Crisis Group.

Com informações de The New York Times, CNN, Anadolu Ajans?, The New Arab, Haaretz, B'Tselem, UN OCHA, UN Independent International Commission of Inquiry on the Occupied Palestinian Territory ■

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