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O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, tornou-se alvo de um processo por calúnia e difamação movido pelo escritório de advocacia Barci de Moraes, que tem como sócia Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação, protocolada na Justiça estadual de São Paulo, também pede indenização por danos morais.
A controvérsia teve origem em entrevista de Vieira ao portal SBT News, na qual ele afirmou que investigações em curso apontam "circulação de recursos" do Primeiro Comando da Capital (PCC) para "familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes". O senador ponderou que "não é razoável dizer agora que essa circulação de recurso é ilícita", mas a declaração foi interpretada pelo escritório como uma vinculação direta entre os honorários da banca – que prestou serviços ao Banco Master – e recursos da facção criminosa.
Em sua defesa, Alessandro Vieira negou ter feito qualquer ligação direta entre o PCC e o escritório da família Moraes. O senador classificou a ação como "tentativa de intimidação" e esclareceu:
"O que fiz foi relatar o processo provável de lavagem de dinheiro realizado por um grupo que contratou os serviços do escritório da família Moraes. Não apontei, em nenhum momento, ligação direta entre o PCC e o referido escritório. O grupo criminoso a que me refiro é o grupo Master."
O Banco Master, atualmente liquidado pelo Banco Central, tem seu dono, Daniel Vorcaro, preso preventivamente e investigado por fraude financeira na CPI liderada por Vieira.
Paralelo com o caso Sergio Moro
A investida judicial contra Vieira encontra paralelo recente no âmbito do próprio STF. O senador Sergio Moro (União-PR) tornou-se réu por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes, após declaração feita em um contexto de festa junina. Em vídeo que viralizou, Moro afirmou: "Não, isso é fiança, instituto para comprar um habeas corpus do Gilmar Mendes".
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Moro, imputando-lhe a falsa acusação de crime de corrupção passiva contra o ministro. A defesa do ex-juiz da Lava Jato argumentou tratar-se de uma "brincadeira" e uma "expressão infeliz" em ambiente descontraído, além de alegar que Moro não teve participação na divulgação do vídeo.
Os argumentos, no entanto, não foram suficientes para reverter a decisão da Primeira Turma do STF. Em março de 2026, a Corte rejeitou por unanimidade o recurso da defesa, mantendo Moro réu na ação penal. O ministro Luiz Fux, em seu voto, acompanhou a relatora Cármen Lúcia, que concluiu:
"Patente não haver omissão a ser sanada. Sob o pretexto de sanar vícios inexistentes, busca-se a rediscussão do acórdão pelo qual recebida a denúncia contra o embargante."
Pontos de comparação entre os casos:
Enquanto isso, os escritórios de advocacia envolvidos em ambos os casos seguem em lados opostos do espectro judicial. O Barci de Moraes, por meio de nota, classificou as declarações de Vieira como "falsas". Já o ministro Gilmar Mendes, ofendido no caso Moro, teve a acusação formalizada pela PGR e referendada pelo STF.
Com informações de UOL, Agência Brasil, CartaCapital, G1, CNN Brasil, Metrópoles, ND Mais ■