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Alemanha descarta participação em guerra no Irã
Governo alemão descarta envolvimento militar, mesmo após declaração conjunta com França e Reino Unido sobre “ações defensivas”
Europa
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■   Bernardo Cahue, 04/03/2026

Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, a Alemanha tratou de demarcar sua posição: não haverá participação militar alemã na guerra contra o Irã. A declaração mais incisiva partiu do ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, que em entrevista à rádio Deutschlandfunk foi categórico ao afirmar que o governo não tem qualquer intenção “de participar de forma alguma numa guerra”. Wadephul reforçou que a Alemanha não possui bases militares na região e que, embora os cerca de 500 soldados alemães destacados no Golfo sejam protegidos em caso de ataque, “não há margem para manobras” além disso.

O chanceler federal, Friedrich Merz, também já havia estabelecido a linha vermelha. Após se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Merz defendeu os ataques de Israel e EUA ao Irã, citando “bons motivos” relacionados ao programa nuclear iraniano, mas foi enfático ao descartar uma participação militar alemã, lembrando que nenhum pedido de apoio foi feito até o momento.

A posição de Berlim se destaca no contexto europeu. Enquanto França e Reino Unido, parceiros da Alemanha no bloco conhecido como E3, demonstraram maior disposição para agir — incluindo o uso de bases britânicas e o reforço da presença francesa na região —, a Alemanha adotou uma postura mais contida. De acordo com a análise da BBC, esta postura está ligada à “forte aversão da sociedade alemã a conflitos armados, em grande parte devido ao passado do país”.

O posicionamento alemão ocorre em um ambiente de alta tensão diplomática. No último domingo (1º), o bloco E3 (Alemanha, França e Reino Unido) divulgou uma declaração conjunta afirmando que estavam prontos para adotar “ações defensivas” para neutralizar as capacidades de lançamento de mísseis do Irã e proteger interesses próprios e de aliados na região. A declaração, no entanto, foi interpretada por Berlim de forma restritiva. Wadephul sublinhou que cada Estado interpreta a declaração “à sua maneira”, deixando clara a distância entre os aliados europeus.

A resposta de Teerã foi imediata e dura. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, advertiu que qualquer ação europeia contra o país seria considerada “um ato de guerra” e “cumplicidade com os agressores” (EUA e Israel). O alerta iraniano acendeu um sinal de alerta na Europa, que corre para proteger seus cidadãos. A Alemanha, por exemplo, anunciou o envio de aviões para a Arábia Saudita e Omã com o objetivo de retirar cerca de 30 mil cidadãos alemães da região.

Em suma, a posição alemã pode ser resumida nos seguintes pontos:

  • Não participação militar: O governo descarta qualquer envolvimento em ações ofensivas ou no conflito direto.
  • Proteção defensiva: Os soldados alemães na região serão protegidos apenas se forem atacados, sem margem para medidas adicionais.
  • Interpretação própria: A Alemanha relativizou a declaração conjunta do bloco E3 sobre “ações defensivas”, alinhando-a à sua política de não envolvimento.
  • Foco humanitário: A prioridade imediata é a evacuação de milhares de cidadãos alemães da área de conflito.

Ao mesmo tempo, o governo alemão não esconde sua visão negativa sobre o regime iraniano. Wadephul classificou o Irã como um perigo não só para Israel e a região, mas também para a Europa e a Alemanha, citando o apoio de Teerã a grupos como Hezbollah e Hamas e o fornecimento de drones à Rússia.

Com informações de deutschland.de, CartaCapital, BBC News Brasil, Expresso das lhas, CNN Brasil, O Estado de S.Paulo, Jovem Pan ■

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