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França anuncia aumento de arsenal nuclear para proteger Europa
Macron ordena expansão de ogivas e apresenta doutrina de "dissuasão avançada" que inclui oito países aliados
Europa
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■   Bernardo Cahue, 02/03/2026

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (2) um aumento significativo do arsenal nuclear francês e a implementação de uma nova estratégia de defesa que envolve a colaboração com oito países europeus. A medida, batizada de "dissuasão avançada", foi apresentada em um discurso na base de submarinos nucleares de Île Longue, na Bretanha.

Macron justificou a mudança na doutrina nuclear francesa diante do atual cenário geopolítico, que classificou como um "período de ruptura cheio de riscos". O presidente afirmou que "os nossos rivais evoluíram, assim como os nossos parceiros", e que, por isso, o elemento dissuasor precisa ser "reforçado". Entre os fatores citados estão a guerra na Ucrânia, os ataques mais recentes no Oriente Médio e as dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a segurança europeia.

De acordo com Macron, os interesses vitais da França "não terminam na fronteira" e agora incluem o continente europeu. A nova fase da política nuclear prevê:

  • Aumento do arsenal: O presidente ordenou o aumento do número de ogivas nucleares disponíveis, mas afirmou que a França não divulgará mais os números exatos de seu estoque. Estima-se que o país possua atualmente cerca de 290 ogivas, o quarto maior arsenal do mundo.
  • Dissuasão avançada: A estratégia permitirá o envio temporário de aeronaves francesas armadas com ogivas nucleares para territórios de países aliados.
  • Parceria europeia: Oito países concordaram em participar do esquema, podendo sediar "forças aéreas estratégicas" da França e participar de exercícios conjuntos. São eles: Alemanha, Reino Unido, Polônia, Países Baixos, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca.
  • Novo submarino: Foi confirmada a construção de um novo submarino nuclear lançador de mísseis balísticos, que será chamado de "Invincible" e deverá estar operacional em 2036.
  • Cooperação com Alemanha e Reino Unido: Paris, Berlim e Londres trabalharão em conjunto no desenvolvimento de mísseis de muito longo alcance e na criação de um grupo de coordenação nuclear de alto nível.

Macron foi enfático ao afirmar que a decisão final sobre o uso das armas nucleares continuará sendo uma prerrogativa soberana do presidente da França, descartando qualquer ideia de "compartilhamento da decisão final" ou dos "interesses vitais" do país. O presidente também reiterou que a nova doutrina não representa uma corrida armamentista, mas sim um fortalecimento necessário para garantir que adversários não vislumbrem a possibilidade de atacar a França ou a Europa sem sofrer danos inaceitáveis.

Com informações de The Guardian, Folha de S.Paulo, G1, France 24, DN, Euronews, CNN Portugal, UOL ■

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