Forças talibãs enfrentam aeronaves paquistanesas na capital após ataques que mataram dezenas; comunidade internacional observa com cautela enquanto diálogo falha
Uma forte explosão seguida de intensos disparos de artilharia antiaérea sacudiu o centro de Cabul nas primeiras horas deste domingo, 1º de março de 2026, confirmando o agravamento do conflito entre o governo talibã do Afeganistão e o Paquistão. O episódio mais recente marca uma escalada significativa na região, com jatos paquistaneses realizando incursões no espaço aéreo afegão e bombardeiado alvos na capital e em outras províncias.
De acordo com relatos de jornalistas da AFP e testemunhas locais, o ataque aéreo não se limitou a Cabul. As forças paquistanesas concentraram-se em pontos estratégicos, incluindo instalações governamentais, o que representa uma mudança drástica na tática de Islamabad, que anteriormente afirmava visar apenas grupos militantes. O porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, confirmou em uma publicação na rede social X que as defesas antiaéreas estavam ativas contra aeronaves paquistanesas e pediu calma à população.
Detalhamento do Ataque e Cenário Atual:
- Alvos: Além da capital Cabul, as províncias de Kandahar, Khost, Kunar e Paktika foram atingidas nos últimos dias. Em Kandahar, trabalhadores da construção civil relataram dois ataques aéreos que resultaram na morte de pelo menos três civis. Um motorista de táxi em Cabul, identificado como Tamim, relatou à Reuters que um depósito de munição aparentemente foi atingido, causando explosões secundárias enquanto moradores fugiam em pânico.
- Vítimas e Versões: Os números de baixas são contraditórios e difíceis de verificar de forma independente. O governo afegão, por meio do vice-porta-voz Hamdullah Fitrat, acusa o Paquistão de ter matado 30 civis nas províncias orientais desde quinta-feira. Por outro lado, o porta-voz do primeiro-ministro paquistanês, Mosharraf Zaidi, afirmou que quase 300 soldados e militantes afegãos foram mortos na resposta de Islamabad, um número que Cabul rejeita veementemente, afirmando ter matado mais de 80 soldados paquistaneses e capturado 27 postos militares.
- Contexto do Conflito: A atual onda de violência é a pior desde outubro do ano passado. O estopim imediato foi uma ofensiva lançada pelo Afeganistão na fronteira na última quinta-feira, em resposta a ataques aéreos paquistaneses anteriores que, segundo Cabul, mataram civis. Islamabad justifica suas ações como represálias a ataques do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), grupo que acusa o Afeganistão de abrigar.
Reação Internacional e Cenário Político:
- Enquanto os combates se intensificam, os esforços diplomáticos parecem fracassar. A Arábia Saudita e o Catar tentaram mediar um cessar-fogo, mas sem sucesso até o momento. A China, que faz fronteira com a região, declarou estar "trabalhando com" ambos os países e pediu moderação.
- Os Estados Unidos, por sua vez, emitiram uma declaração de apoio ao direito do Paquistão de se defender, conforme comunicado por Allison Hooker, subsecretária de Estado para Assuntos Políticos.
- Analistas apontam que a declaração de "guerra aberta" por parte do Paquistão na sexta-feira, seguida pelos bombardeios deste domingo, inviabiliza, pelo menos por enquanto, qualquer possibilidade de diálogo, apesar do apelo do governo afegão por negociações.
A população civil, mais uma vez, é a principal afetada. Em Jalalabad, um jornalista da AFP ouviu o som de jatos e duas explosões no sábado. Em Khost, moradores fugiram em massa de suas casas próximas à fronteira. "As crianças, as mulheres, todos saíram. Alguns estavam descalços, outros sem véu", descreveu Mohammad Rasool, um refugiado de 63 anos, à agência de notícias. A informação sobre o ataque deste domingo em Cabul foi inicialmente divulgada pela agência de notícias estatal chinesa, CCTV, e posteriormente confirmada pela agência AFP.
Com informações de: AFP, Reuters, BSS (Bangladesh Sangbad Sangstha), India Today, WION, CCTV (China Central Television), Xinhua News Agency, China News Service ■