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Valdemar Costa Neto lidera campanha de empresários para barrar PEC do fim da escala 6x1
Em jantar na Faria Lima, presidente do PL classifica proposta de "bomba" e afirma que pautas trabalhistas e sociais beneficiam "sempre o mesmo pessoal"; estratégia é travar votação na CCJ para evitar derrota em plenário
Politica
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■   Bernardo Cahue, 26/02/2026

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, declarou abertamente guerra contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso). Em um jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil, na região da Faria Lima, em São Paulo, na noite da última segunda-feira (23), o dirigente não apenas articulou uma manobra regimental para enterrar a proposta, mas também direcionou críticas a programas sociais de transferência de renda, como o vale-gás, argumentando que os benefícios sempre atendem ao "mesmo pessoal".

Durante o encontro, que reuniu representantes de gigantes dos setores de tecnologia, varejo e serviços — como Google e iFood —, Valdemar foi enfático ao defender que a legenda atue junto ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que a PEC sequer seja votada. A estratégia, segundo ele, é concentrar forças na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para impedir que o texto chegue ao plenário, onde a aprovação seria "avassaladora", nas palavras do também presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que endossou o coro. "Difícil um cidadão que é candidato a deputado federal ou senador votar contra. Nós temos que trabalhar para não deixar votar de jeito nenhum. É na CCJ que vai ser a guerra", afirmou Valdemar, sendo aplaudido pelos empresários presentes.

O que chama a atenção nos discursos é a tentativa de associar a pauta trabalhista a um suposto viés eleitoral e setorizado. Valdemar classificou o fim da escala 6x1 como "uma bomba para o país", mas foi além ao comentar o conjunto de iniciativas sociais do governo federal. Para ele, medidas como o vale-gás e outros subsídios são sempre direcionadas ao "mesmo pessoal", numa tentativa de colher dividendos eleitorais, ignorando o impacto positivo na qualidade de vida dos trabalhadores e na economia local.

"Não é fácil para o país, não é fácil para os empresários que já reclamam dos nossos impostos. O debate reaparece sempre puxado pelo mesmo pessoal", declarou o dirigente, referindo-se às pautas trabalhistas e sociais como um movimento cíclico e interessado.

Para além da retórica, a articulação política já tem um plano concreto de ação. Valdemar e Rueda admitiram que, devido ao ano eleitoral, é "cruel" para qualquer parlamentar votar contra o fim da escala 6x1, pois isso custaria votos. Por isso, a aposta é no adiamento indefinido (o chamado "barrigar") dentro das comissões. Os números explicam o receio:

  • PL e União Brasil, juntos, somam cerca de 145 deputados, mas a base de apoio à PEC na sociedade é transversal e forte.
  • Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), usado pelos empresários para pressionar o Congresso, aponta que a redução da jornada para 40 horas semanais poderia elevar os custos da folha salarial entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano — um dado contestado por especialistas em produtividade.
  • Pesquisas qualitativas mostram que empresas que já adotaram modelos alternativos à escala 6x1 relatam aumento de produtividade, queda no absenteísmo e redução de afastamentos médicos.

Do outro lado do tabuleiro, o governo Lula e a Câmara aceleram os trâmites. Hugo Motta já sinalizou que a votação pode ocorrer até maio, na semana do Dia do Trabalhador, e deve nomear o relator da PEC na CCJ nos próximos dias. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também entrou no debate lembrando que há uma "tendência global" de redução de jornada e que o tema não pode ser tratado com "correria", mas com responsabilidade social.

O embate expõe uma visão de país que antagoniza direitos sociais e desenvolvimento econômico. Ao atrelar o fim da escala 6x1 a uma suposta "farra de subsídios" para um público específico, Valdemar escancara uma resistência que vai além da jornada de trabalho e atinge o coração do Estado de bem-estar social. Os trabalhadores, principais interessados na PEC, agora miram seus representantes: ou eles enfrentam a pressão empresarial e votam a favor do descanso digno, ou se alinham ao discurso que reduz direitos a "benesses" para o "mesmo pessoal".


Com informações de UOL, Tribuna do Norte, CBN, Correio do Povo, Folha de S.Paulo, ICL Notícias, TMC, Correio da Amazônia, Jornal de Meriti ■

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