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O Kremlin classificou como "extremamente perigosa" e uma violação flagrante do direito internacional a suposta iniciativa do Reino Unido e da França de fornecer armas nucleares à Ucrânia. A denúncia foi feita pelo Serviço de Inteligência Estrangeiro da Rússia (SVR) em uma declaração no último dia 24 de fevereiro, data que marca o quarto aniversário do início da invasão russa em grande escala.
De acordo com a inteligência russa, Londres e Paris estariam "ativamente trabalhando" para resolver questões relacionadas ao fornecimento de armas nucleares ou ao menos de uma "bomba suja" a Kiev. O objetivo seria proporcionar à Ucrânia uma posição de barganha mais forte em negociações para um cessar-fogo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, enfatizou a gravidade das acusações, afirmando que "esta é uma violação gritante de todas as normas, princípios e disposições relevantes do direito internacional", com referência direta ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Peskov também instou os parlamentos do Reino Unido e da França a iniciarem investigações sobre o caso.
Segundo o comunicado do SVR, o plano envolveria a transferência encoberta de componentes, equipamentos e tecnologias de fabricação europeia para a Ucrânia. Um dos elementos centrais do suposto plano seria a ogiva francesa de pequenas dimensões TN-75, utilizada nos mísseis balísticos lançados de submarinos da classe M51.1.
Ainda de acordo com a versão russa, a Alemanha teria se recusado a participar do que chamaram de "aventura perigosa". O SVR alega que os esforços ocidentais estariam focados em fazer com que a aquisição de armas nucleares pela Ucrânia parecesse um desenvolvimento tecnológico autônomo ucraniano, e não uma transferência direta.
Em reação às informações, o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, conhecido por suas declarações inflamadas, ameaçou usar armas nucleares táticas contra alvos na Ucrânia e também contra os países fornecedores, caso o plano se concretize. "Não pode haver sombra de dúvida de que a Rússia, sob tais circunstâncias, teria que usar todos os meios necessários, incluindo armas nucleares não-estratégicas", escreveu Medvedev em seu canal no Telegram.
O Conselho da Federação (câmara alta do parlamento russo) também apelou ao Conselho de Segurança da ONU e à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para que investiguem a suposta intenção de Londres e Paris.
Em resposta às acusações, o governo francês reagiu de forma irônica por meio de suas redes sociais. A mensagem oficial dizia: "Cinco anos depois de sua 'guerra de três dias', a Rússia gostaria muito que você se concentrasse nas bombas nucleares francesas e britânicas". Até o momento, não houve confirmação oficial por parte dos governos do Reino Unido e da França sobre a existência de tais planos.
O contexto histórico da acusação remonta ao Memorando de Budapeste de 1994, quando a Ucrânia, em troca de garantias de segurança e soberania territorial, abriu mão do terceiro maior arsenal nuclear do mundo, herdado após o colapso da União Soviética. A Rússia, uma das signatárias do acordo, violou esses compromissos ao anexar a Crimeia em 2014 e lançar a invasão em 2022. Especialistas apontam que a acusação russa pode ser uma tentativa de desviar a atenção do fracasso em cumprir seus próprios objetivos militares e uma forma de escalar a retórica nuclear contra o Ocidente.
Informações contextuais sobre o tema:
Com informações de Kyiv Post, TASS, Anadolu Ajans?, The Kyiv Independent, The Mirror, PravdaReport, News18 ■