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Em um episódio que expõe as profundas divergências entre Washington e seus aliados europeus, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da França, Emmanuel Macron, emitiram declarações radicalmente opostas sobre o caminho para encerrar a guerra na Ucrânia. As falas, ocorridas nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, acirram o debate sobre o futuro do conflito que se aproxima dos quatro anos .
A visão de Trump: "ceder ou perder a oportunidade"
Em uma rápida entrevista na porta da Casa Branca, Trump foi direto ao afirmar que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, precisa se mexer. "A Rússia quer fechar um acordo, e Zelensky vai ter que ceder. Senão, ele vai perder uma grande oportunidade", declarou o líder americano . A declaração pública reforça os rumores de que a administração Trump está elaborando um plano de paz que exige concessões significativas de Kiev. De acordo com informações veiculadas pela imprensa internacional, a proposta, vista como uma "transação estilo Trump", incluiria pontos sensíveis, como:
A pressa da Casa Branca é notável. Zelensky revelou que os EUA pressionam por um acordo até junho, possivelmente influenciados pelo calendário eleitoral americano, e há temores de que Washington e Moscou possam firmar um acordo bilateral, ignorando as demandas de Kiev e dos europeus .
A contraofensiva de Macron: "firmeza e tenacidade"
Quase que no mesmo horário, mas em Munique, durante a principal conferência de segurança do mundo, Emmanuel Macron esboçou uma visão diametralmente oposta. Em seu discurso, o presidente francês argumentou que a resposta ao fim da guerra não pode ser a submissão às exigências russas. "A resposta não pode ser ceder às exigências da Rússia, mas sim aumentar a pressão. Mesmo que haja um acordo, ainda teremos que lidar com uma Rússia agressiva. Devemos demonstrar força e tenacidade em relação à Ucrânia", afirmou Macron . A estratégia francesa, apoiada por outros líderes europeus, baseia-se em três pilares:
O racha transatlântico e o futuro da Ucrânia
A simultaneidade das declarações escancara o conflito de interesses. De um lado, uma visão pragmática (e vista por críticos como leniente) vinda de Washington, que enxerga a necessidade de um acordo rápido, mesmo que às custas do território ucraniano. Do outro, uma Europa que se vê na linha de frente de uma "Rússia agressiva" e que, sentindo-se marginalizada nos esforços de paz, endurece o discurso .
A reação de Zelensky, até o momento, é de cautela, mas ele já reiterou que "não pode haver fim para a guerra sem garantias de segurança" e que qualquer acordo deve respeitar a Constituição ucraniana, que não prevê a cessão territorial . A falta de um representante de alto escalão dos EUA, como o secretário de Estado Marco Rubio, em reuniões paralelas sobre a Ucrânia em Munique só fez aumentar a desconfiança europeia de que os EUA estejam negociando um plano nos bastidores que exclui o continente . Enquanto isso, a Rússia, que continua avançando e atacando a infraestrutura civil ucraniana, observa o Ocidente dividido .
Com informações de: G1, BBC News Brasil, InfoMoney, O Globo, R7, Euronews, RTP ■