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ONU condena escalada de violência no Sudão e Sudão do Sul e alerta para crise humanitária
Secretário-geral António Guterres pede fim imediato das operações militares enquanto ataques a civis e ajuda humanitária aprofundam sofrimento de milhões
Africa
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■   Bernardo Cahue, 09/02/2026

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou veementemente a escalada da violência no Sudão e no Sudão do Sul, onde milhões de civis enfrentam fome, deslocamento forçado e ataques diretos. Em comunicados separados, Guterres alertou que as operações humanitárias estão sendo paralisadas pela violência e por grave falta de financiamento, colocando vidas em risco iminente .

No Sudão do Sul, a violência intensificou-se no estado de Jonglei, deslocando pelo menos 280 mil pessoas apenas neste estado e 370 mil em todo o país desde o início de 2026 . A ONU estima que cerca de 10 milhões de sul-sudaneses – mais de dois terços da população – necessitam de assistência humanitária vital . A situação é agravada por um surto de cólera .

No Sudão, o conflito que recomeçou em abril de 2023 ultrapassou a marca de 1.000 dias, criando a maior crise de fome e deslocamento do mundo . Mais de 21 milhões de pessoas enfrentam fome aguda, e quase 12 milhões foram forçadas a fugir de suas casas . Em Darfur, especificamente em El Fasher, o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU alerta para um risco crescente de atrocidades em massa com motivação étnica .

Uma característica alarmante dos conflitos é o ataque sistemático à infraestrutura humanitária e médica:

  • No Sudão do Sul, 11 instalações de saúde foram atacadas apenas no estado de Jonglei desde dezembro de 2025 .
  • Na última semana, foram registrados ataques a um comboio do Programa Mundial de Alimentos (PMA), um ataque aéreo a um hospital da Médicos Sem Fronteiras e a incineração de um escritório da Save the Children .
  • Desde o início do conflito no Sudão, quase 130 trabalhadores humanitários foram mortos .

Autoridades da ONU também expressaram extrema preocupação com a retórica inflamatória de líderes militares. No Sudão do Sul, um alto oficial do exército foi ouvido instando suas tropas a "não poupar ninguém" em operações em áreas controladas pela oposição, incluindo explicitamente crianças e idosos . Especialistas classificam essa linguagem como "profundamente perigosa" e alertam para o risco de violência em massa contra civis .

A resposta internacional enfrenta uma crise de financiamento crítica. No Sudão, o PMA alerta que seus estoques de alimentos podem acabar até o final de março, e precisa urgentemente de US$ 700 milhões para manter as operações . O apelo humanitário do UNICEF para o Sudão em 2025 está 51% subfinanciado, com um déficit de cerca de US$ 483 milhões .

António Guterres apelou a todas as partes em ambos os países para que :

  1. Interrompam imediata e decisivamente todas as operações militares;
  2. Reduzam as tensões através de um diálogo inclusivo;
  3. Protejam os civis e o pessoal humanitário;
  4. Garantam acesso seguro e sustentável para a ajuda humanitária.

O secretário-geral também destacou a necessidade de uma solução política e condenou a "interferência externa" e o fornecimento de armas às partes em conflito, que comprometem as perspectivas de paz .

Com informações de news.un.org, Observador, Anadolu Agency (AA.com.tr), e UNRIC (unric.org) ■

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