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Tanzânia mobiliza exército e polícia em Dia da Independência para conter protestos contra governo
Medida tenta evitar protestos como os que eclodiram nas eleições gerais de 29 de outubro, que causou mais de 700 vitimas e provocou o corte da internet no país
Africa
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■   Bernardo Cahue, 10/12/2025

A Tanzânia viveu um Dia da Independência, 9 de dezembro de 2025, sob forte tensão e esquema de segurança. O governo convocou policiais e soldados em massa na capital comercial, Dar es Salaam, para impedir protestos planejados por ativistas e opositores. As autoridades proibiram formalmente qualquer manifestação, classificando os atos planejados como uma tentativa de golpe e pedindo à população que ficasse em casa. A data, que normalmente celebra a independência da Grã-Bretanha em 1961, foi marcada por um silêncio imposto, com o cancelamento das comemorações oficiais.

Contexto de Crise Pós-Eleitoral e Repressão Violenta

A medida extrema é uma resposta direta aos protestos massivos e violentos que eclodiram após as eleições gerais de 29 de outubro de 2025. A presidente Samia Suluhu Hassan foi declarada vencedora com cerca de 98% dos votos, após a desqualificação dos principais candidatos da oposição. Os distúrbios que se seguiram resultaram na maior violência política da história do país desde sua independência.

Segundo investigações, a repressão foi brutal:

  • Centenas de mortes: O Escritório de Direitos Humanos da ONU estima que centenas de manifestantes e civis foram mortos, com relatos da oposição chegando a cerca de 700 mortes. Especialistas da ONU mencionaram a estimativa de pelo menos 700 execuções extrajudiciais.
  • Uso letal da força: Uma investigação da CNN, com análise forense de vídeos, documentou policiais atirando em manifestantes que pareciam desarmados ou portando apenas pedras e paus. Casos incluem uma mulher grávida baleada pelas costas enquanto fugia e um jovem baleado na cabeça.
  • Possíveis Valas Comuns: Imagens de satélite e vídeos analisados pela CNN mostram solo revolvido no cemitério de Kondo, em Dar es Salaam, consistente com relatos de grupos de direitos humanos sobre enterros em valas comuns de vítimas dos protestos.

Preparação das Autoridades e Resposta Internacional

Nos dias que antecederam o 9 de dezembro, o governo tomou uma série de medidas para evitar uma nova onda de protestos:

  1. Proibição Formal: A polícia nacional declarou ilegais os protestos planejados, alegando que os organizadores não cumpriram requisitos legais e incitavam à desordem.
  2. Narrativa de "Golpe": O Ministro de Assuntos Internos, George Simbachawene, afirmou que os protestos constituíam "não um protesto, mas um golpe", justificando a ação dura das forças de segurança.
  3. Cancelamento das Celebrações: O governo cancelou as festividades do Dia da Independência, direcionando os fundos para o reparo de infraestrutura danificada nos protestos de outubro.
  4. Pressão Internacional: A ONU instou as autoridades a respeitarem o direito à reunião pacífica. Os Estados Unidos anunciaram que estão revisando sua relação com a Tanzânia devido à violência contra civis e restrições às liberdades.

Consequências e Cenário Atual

A crise política tem tido um impacto profundo no país e em sua imagem internacional:

  • Toque de recolher e apagão: Após as eleições, o governo impôs um toque de recolher nacional e um bloqueio da internet para conter a disseminação de informações.
  • Comissão de Investigação: A presidente Hassan nomeou uma comissão para investigar a violência pós-eleição, mas, ao mesmo tempo, sugeriu que manifestantes foram pagos e negou qualquer ação imprópria das forças de segurança.
  • Impacto Econômico e Social: Houve escassez de alimentos, combustível e dinheiro, agravada pela falta de internet. Companhias aéreas, como a Emirates, chegaram a suspender voos para Dar es Salaam.

Em 9 de dezembro, testemunhas relataram que as ruas principais de Dar es Salaam estavam sob forte vigilância, com policiais e soldados patrulhando e verificando identificações. Relatos não confirmados em redes sociais mencionaram pequenos protestos em algumas partes da cidade. A situação permanece volátil, com o governo demonstrando determinação em suprimir qualquer dissidência aberta, enquanto a oposição e ativistas testam os limites dessa repressão.

Com informações de Reuters, Al Jazeera, Associated Press, CNN, Africanews, Bloomberg, U.S. News & World Report ■

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