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Lula critica postura dos EUA e exalta alinhamento estratégico do Brasil com a China
Presidente defende soberania de Cuba e Venezuela e celebra parceria estratégica com a China, em meio a tensão global por minerais essenciais à tecnologia
Politica
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■   Bernardo Cahue, 08/02/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez fortes declarações sobre política externa, posicionando o Brasil de forma crítica aos Estados Unidos e de alinhamento com a China e países sob pressão norte-americana, durante evento do Partido dos Trabalhadores.

Em discurso no encerramento das comemorações dos 46 anos do PT, em Salvador (BA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as pressões econômicas dos Estados Unidos sobre Cuba como um "massacre de especulação" e defendeu que a solução para a Venezuela deve vir de seu próprio povo, sem interferência externa. Paralelamente, Lula expressou gratidão pela parceria "exitosa" e "respeitosa" do Brasil com a China, comentando as tensões globais em torno do fornecimento de terras raras e minerais críticos.

A fala ocorre em um momento de disputa geopolítica acirrada entre Washington e Pequim pelo controle de minerais essenciais para a indústria de alta tecnologia, como carros elétricos, celulares, turbinas eólicas e armamentos, na qual o Brasil, dono da segunda maior reserva mundial, é peça-chave.

Críticas aos EUA e Defesa da Soberania

Dirigindo-se a militantes do partido, Lula foi contundente ao tratar da política norte-americana para Cuba e Venezuela, reafirmando seu discurso em favor da soberania nacional.

"O nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. E que nós temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar", afirmou o presidente. A declaração reforça uma nota oficial divulgada pelo PT no final de janeiro, em que o partido se posicionou em apoio a Cuba "diante das ameaças" dos EUA.

Sobre a Venezuela, Lula foi enfático: "Nós temos que dizer alto e bom som que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo da Venezuela e não pelos Estados Unidos ou pelo [Donald] Trump". A declaração faz referência à intervenção militar norte-americana no país em 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura e transferência do presidente Nicolás Maduro para os Estados Unidos para ser julgado.

O "Brilho" das Terras Raras e a Parceria com a China

Um dos pontos centrais do discurso foi o comentário sobre as terras raras e minerais críticos, tema de intensa disputa global. Lula revelou que o assunto tem dominado agendas diplomáticas e criticou o que chamou de uma "briga meio escondida" contra a China.

"E, agora, embaixador, toda a conversa, toda a reunião é para evitar que os países vendam terras raras, minerais críticos para a China... E eu quero dizer que eu sou muito grato, muito grato à parceria que o Brasil tem com a China", declarou Lula, dirigindo-se ao embaixador chinês no Brasil, Zhu Qingqiao, que estava presente no evento.

A declaração do presidente ocorre no contexto de uma ofensiva diplomática e comercial liderada pelos Estados Unidos para reduzir a dependência mundial da cadeia produtiva dominada por Pequim. A China atualmente controla cerca de 70% da extração e 90% do processamento global desses elementos estratégicos.

O Brasil no Tabuleiro Geopolítico dos Minerais

A posição do Brasil neste cenário é considerada estratégica e decisiva. O país possui a segunda maior reserva de terras raras e minerais críticos do mundo, ficando atrás apenas da China. Na semana passada, os Estados Unidos convocaram uma reunião com mais de 50 países, incluindo o Brasil, para discutir a formação de uma aliança sobre o tema.

Os objetivos declarados da aliança proposta pelos EUA são:

  • Reduzir a dependência da cadeia de suprimentos dominada pela China.
  • Criar um bloco comercial para regular preços mínimos e coordenar políticas.li>
  • Garantir a segurança no fornecimento para as indústrias de seus membros.

Enquanto isso, os EUA também lançaram o "Projeto Vault", um plano para construir um estoque estratégico de minerais críticos, financiado por um empréstimo de US$ 10 bilhões, visando proteger sua indústria de possíveis cortes no fornecimento.

Uma fonte do governo brasileiro, citada pela Reuters, indicou que, apesar de ter participado da reunião convocada pelos EUA, o Brasil não tomará uma decisão rápida sobre sua adesão a qualquer bloco. O tema deve ser um dos principais da agenda na visita que Lula fará à Casa Branca em março para se reunir com o presidente Donald Trump.

As declarações de Lula no aniversário do PT, partido que já inicia sua pré-campanha para as eleições, delineiam com clareza a postura de sua gestão em um dos principais eixos de tensão geopolítica e econômica contemporânea, colocando a soberania e os interesses nacionais de desenvolvimento como pilares de sua atuação internacional.

Com informações de: G1, Infomoney, Poder360, R7, DW ■

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