Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
General russo baleado em Moscou em meio a frágeis negociações de paz
Vice-chefe da inteligência militar, ferido gravemente, era figura-chave no GRU e nas tratativas com a Ucrânia. Ataque ocorre um dia após rodada de conversas em Abu Dhabi
Leste Europeu
Foto: https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/dbbc/live/8c424470-0331-11f1-bb5c-eb75deabbf98.jpg.webp
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

O tenente-general Vladimir Alekseyev, primeiro vice-chefe da Diretoria Principal de Inteligência da Rússia (GRU), foi baleado várias vezes e ferido na manhã desta sexta-feira (6) em Moscou. O ataque ocorreu na escada de um prédio residencial na Rodovia Volokolamskoye, no noroeste da capital. O agressor, não identificado, fugiu do local. Alekseyev foi hospitalizado em estado grave e está na UTI, segundo a mídia estatal russa. O Comitê de Investigação da Rússia abriu inquérito criminal por tentativa de homicídio.

A vítima, de 64 anos, é uma das figuras mais importantes da inteligência militar russa. Ocupa o cargo de vice-chefe do GRU desde 2011. Seu perfil é marcado por:

  • Sanções internacionais: Está sob sanções dos Estados Unidos desde 2016 por supostos ciberataques para interferir em processos democráticos e foi sancionado pela União Europeia em 2019 por seu envolvimento no envenenamento do ex-espião Sergei Skripal em Salisbury, Reino Unido.
  • Papel na guerra na Ucrânia: Teve participação significativa no conflito, incluindo negociações durante o cerco de Mariupol em 2022. Relatórios de inteligência ucranianos o acusam de organizar ataques aéreos contra alvos civis e de crimes de guerra na Síria.
  • Mediação com o Grupo Wagner: Em junho de 2023, foi um dos oficiais enviados pelo Kremlin para negociar com o líder do grupo mercenário Wagner, Yevgeny Prigozhin, durante sua breve rebelião contra o comando militar russo.

O atentado acontece em um momento de extrema sensibilidade diplomática. Na quinta-feira (5), negociadores da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos concluíram uma rodada de conversas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, buscando avançar em um acordo para encerrar a guerra. A delegação russa nas tratativas era chefiada pelo almirante Igor Kostyukov, superior direto de Alekseyev no GRU.

O governo russo foi rápido em apontar um culpado e um motivo político. O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, acusou diretamente a Ucrânia, afirmando que o ataque foi um "ato terrorista" destinado a sabotar as negociações de paz. "Este ato terrorista confirma, uma vez mais, a orientação do regime [do Presidente Volodymyr] Zelensky para provocações constantes, visando fazer fracassar o processo de negociação", declarou Lavrov. Até o momento, as autoridades ucranianas não se manifestaram sobre o caso.

Este é apenas o episódio mais recente de uma série de ataques contra altos oficiais militares russos em solo nacional desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, há quase quatro anos. Em um padrão que se repete, os alvos são atingidos próximo a suas residências, levantando críticas internas sobre a falta de segurança. Nos últimos três meses, pelo menos três outros tenentes-generais foram mortos em Moscou:

  1. Tenente-general Fanil Sarvarov: Morto em dezembro de 2024 pela explosão de um carro-bomba colocado sob seu veículo. Era chefe da Diretoria de Treinamento Operacional do Estado-Maior.
  2. Tenente-general Yaroslav Moskalik: Assassinado em abril de 2024 por um explosivo colocado em seu carro, estacionado perto de casa. Era vice-chefe do principal departamento operacional do Estado-Maior.
  3. Tenente-general Igor Kirillov: Comandante das tropas de Defesa Nuclear, Biológica e Química, morto em dezembro de 2024 por uma bomba escondida em um patinete elétrico do lado de fora de seu prédio. A Ucrânia assumiu a autoria deste ataque.

Questionado sobre a segurança dos altos comandantes, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reconheceu que "é evidente que esses líderes militares e especialistas altamente qualificados correm riscos durante uma guerra". Ele afirmou que os serviços de inteligência estão investigando o ataque e que a garantia da segurança dessas figuras é responsabilidade desses serviços especiais, não do Kremlin.

Com informações de: G1, BBC, CNN Brasil, Veja, Correio da Manhã Canadá, TMC, TVT News, Expresso, Terra, Correio Braziliense ■

Mais Notícias