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O Banco de Brasília (BRB) encerra nesta sexta-feira (6) o prazo para entregar ao Banco Central (BC) um plano detalhado de ações para recompor pelo menos R$ 5 bilhões em seu balanço patrimonial. A exigência do regulador é uma resposta direta ao prejuízo bilionário gerado pela aquisição de carteiras de crédito problemáticas do Banco Master, liquidado em novembro de 2025. Se aprovado, o plano deverá ser executado pela instituição em um prazo de até seis meses.
As opções de capitalização que o BRB deve apresentar ao BC incluem um leque de alternativas, muitas dependendo de aval político ou de complexa engenharia financeira. As principais medidas em discussão são:
Qualquer medida que envolva recursos ou patrimônio público do Distrito Federal precisará do aval da Câmara Legislativa local, onde o governador Ibaneis Rocha (MDB) tem ampla maioria. Paralelamente, a diretoria do BRB está em São Paulo negociando a venda de ativos adquiridos do Master, avaliados em R$ 21,9 bilhões, para levantar caixa.
Origem do rombo: a operação com o Master
A necessidade premente de capital tem origem em uma série de operações realizadas entre 2024 e 2025. Nesse período, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, dos quais cerca de R$ 12,2 bilhões foram para a compra de carteiras de crédito. Investigações do Banco Central e do Ministério Público revelaram que essas carteiras eram de baixíssima qualidade ou mesmo fictícias.
O esquema funcionava da seguinte forma: o Master comprava os créditos de outras instituições por um valor "X", não chegava a quitá-los integralmente, e os revendia ao BRB por mais do dobro, recebendo o pagamento à vista. Essa manobra, descrita por autoridades como uma "pirâmide financeira", enfraqueceu profundamente o balanço do banco público.
Investigacões e impacto patrimonial
O caso é alvo de inquérito da Polícia Federal por suspeita de gestão fraudulenta. Em depoimento, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, afirmou que o rombo a ser coberto é de cerca de R$ 5 bilhões. O valor exato, no entanto, ainda depende de uma auditoria externa.
Um cenário que preocupa analistas é a dimensão do prejuízo frente ao tamanho do banco. Enquanto a provisão necessária pode chegar a R$ 5 bilhões, o BRB tinha, em meados de 2025, um patrimônio líquido declarado de R$ 3,9 bilhões. Absorver a perda total sem um aporte massivo deixaria o patrimônio negativo, exigindo um grande esforço de recapitalização.
Discurso oficial e perspectivas
Apesar da gravidade, tanto o BRB quanto o GDF emitem mensagens de tranquilidade. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que "O BRB não vai quebrar, não vai ter intervenção, não vai ter liquidação". O secretário de Economia do DF, Daniel Izaías, reforçou que o governo distrital "tem ativos suficientes para fazer frente a uma necessidade de aporte de capital". Técnicos entrevistados pela imprensa também afastam o risco de falência, dada a capacidade de socorro do controlador.
Agora, a bola está com o Banco Central, que analisará a viabilidade técnica, política e financeira do plano apresentado. A decisão do BC definirá os próximos capítulos dessa crise que envolve um dos principais bancos públicos regionais do país.
Com informações de: G1, Correio Braziliense, CNN Brasil, Migalhas, Tribuna do Sertão, Jornal de Brasília, Brasil 247