Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
Em uma sessão ordinária realizada na terça-feira, 12 de maio de 2026, a Asamblea Nacional (AN) da Venezuela aprovou, com o voto unânime dos deputados presentes, um projeto de acordo que ratifica o apoio integral à defesa do território da Guayana Esequiba, região de aproximadamente 159 mil km² em disputa com a República Cooperativista da Guiana. O instrumento consolida o respaldo legislativo à estratégia jurídica e diplomática do Estado venezuelano perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, e reafirma, mais uma vez, o Acordo de Ginebra de 1966 como o único mecanismo legalmente válido para solucionar a controvérsia.
Apresentado pelo deputado José Gregorio Vielma Mora (PSUV/Nacional), o texto foi descrito pelo parlamentar como um “escudo institucional” e um “espaldarazo à estratégia jurídica do Estado”. Em seu discurso, Vielma Mora enfatizou que a defesa da Esequiba não obedece a interesses partidários, mas sim a um “mandato sagrado da pátria”, fundamentado em três pilares: a legitimidade histórica baseada no Acordo de Ginebra, a unidade nacional transcendendo diferenças ideológicas e uma postura de firmeza jurídica que contesta a validade do Laudo Arbitral de Paris de 1899, considerado pelos venezuelanos como “viciado, írrito e nulo”.
A rápida aprovação do acordo reflete um raro momento de convergência entre o partido governista e setores da oposição. O presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, salientou que o posicionamento sobre a Esequiba deixou de ser uma mera argumentação jurídica para se tornar um “mandato popular vinculante”, após os resultados do referendo consultivo realizado em 3 de dezembro de 2023.
As discussões sobre o Esequibo vêm se intensificando nos últimos anos, especialmente após a descoberta de enormes reservas de petróleo na região pela gigante ExxonMobil a partir de 2015, o que transformou a Guiana no país com as maiores reservas per capita do mundo. Em termos de marcos legais internos, o Parlamento venezuelano já havia aprovado, em março de 2024, a Lei Orgânica para a Defesa da Guayana Esequiba, que estabelece as bases para o exercício da soberania na zona e a integração formal do “Estado número 24” à organização territorial do país.
A reação internacional não tardou. O governo da Guiana e a Comunidade do Caribe (CARICOM) têm reiterado que as ações do governo venezuelano, como a realização de eleições regionais na área em maio de 2025 para escolher um governador para o “Estado Guayana Esequiba”, representam uma afronta direta e uma violação das ordens vinculantes emitidas pela CIJ em 1º de dezembro de 2023 e 1º de maio de 2025. Georgetown considera a reivindicação venezuelana, que abrange mais de 70% de seu território, como uma ameaça existencial e continua a defender a resolução pacífica da controvérsia pela mais alta corte da ONU.
Do lado venezuelano, a mensagem é de unidade e continuidade histórica. Como sentenciou o deputado José Gregorio Vielma Mora: “O sol da Venezuela nasce no rio Esequibo. Ao aprovar este acordo, enviamos uma mensagem clara: somos uma nação de paz, mas soberana, que não cederá um ápice do que por justiça lhe pertence”.
Com informações de Agencia Venezolana de Noticias (AVN), Asamblea Nacional de Venezuela, Ciudad Valencia, El Espectador de Caracas, Globovisión, Infobae, La Iguana TV, teleSUR, ABC (EFE), Miami Herald, Newsroom Guyana, Stabroek News, Kaieteur News Online ■