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O empresário mineiro Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro (fundador do Banco Master), foi preso na manhã desta quinta-feira (14) pela Polícia Federal. A prisão ocorre na 6ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o antigo Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). Em paralelo, a mesma força-tarefa apura o destino de aproximadamente R$ 159 milhões que o dono do Master teria direcionado, por meio de empresas de fachada, para a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A nova etapa da operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que viu um “quadro indiciário robusto” contra Henrique Vorcaro. Ao todo, a Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Os alvos principais são os núcleos criminosos apelidados de “A Turma” e “Os Meninos”, responsáveis, respectivamente, pela intimidação física de adversários e por ataques cibernéticos e monitoramento ilegal de autoridades, jornalistas e investigações sigilosas.
Segundo os investigadores, Henrique Vorcaro não apenas financiava o grupo criminoso, mas atuava como “demandante, beneficiário e operador financeiro” da milícia particular. A decisão do STF cita que ele continuou solicitando serviços ilícitos e realizando repasses vultosos — como uma transferência de R$ 400 mil — mesmo após o início das fases ostensivas da Operação Compliance Zero e da prisão do filho, em novembro de 2025.
Além das acusações criminais, Henrique Vorcaro tem pendências com o Fisco. Dados da Procuradoria-Geral da União (PGFN) mostram que o empresário acumula 36 dívidas ativas que somam aproximadamente R$ 8,5 milhões devidos à União, com registros desde 2021.
A defesa de Henrique Vorcaro, comandada pelo advogado Eugênio Pacelli, classificou a prisão como “grave e desnecessária”, alegando que a decisão se baseia em fatos cuja licitude e racionalidade econômica “ainda não foram comprovadas no processo”. A nota afirma que “o ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave”, e que o time jurídico cuidará “imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer”.
No mesmo escopo da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal investiga o desvio de recursos do Banco Master para financiar a produção cinematográfica “Dark Horse” (Azarão), cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e relatórios da PF mostram que a empresa Entre Investimentos e Participações, usada como intermediária, recebeu R$ 159,2 milhões oriundos de fundos sob investigação por fraudes bilionárias.
A 6ª fase da Operação Compliance Zero segue em andamento, com equipes da PF cumprindo as buscas e prisões nos três estados. Os investigados poderão responder por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. A expectativa das autoridades é que o aprofundamento das apurações sobre o financiamento do filme “Dark Horse” traga novos desdobramentos e possível responsabilização de outros envolvidos.
Com informações de Agência Brasil, CNN Brasil, G1, Poder360, TV Brasil, Folha de S.Paulo, O Tempo, Estadão, InfoMoney, UOL, Bahia Notícias, BBC News Brasil, Poder360, G1 ■