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PF prende pai de Daniel Vorcaro por esquema criminoso bilionário
Empresário Henrique Moura Vorcaro é acusado de liderar milícia digital e física para proteger o banqueiro; apuração paralela tenta rastrear recursos que financiaram cinebiografia de Bolsonaro
America do Sul
Foto: https://s01.video.glbimg.com/x240/14611352.jpg
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■   Bernardo Cahue, 15/05/2026

O empresário mineiro Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro (fundador do Banco Master), foi preso na manhã desta quinta-feira (14) pela Polícia Federal. A prisão ocorre na 6ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o antigo Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). Em paralelo, a mesma força-tarefa apura o destino de aproximadamente R$ 159 milhões que o dono do Master teria direcionado, por meio de empresas de fachada, para a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A nova etapa da operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que viu um “quadro indiciário robusto” contra Henrique Vorcaro. Ao todo, a Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Os alvos principais são os núcleos criminosos apelidados de “A Turma” e “Os Meninos”, responsáveis, respectivamente, pela intimidação física de adversários e por ataques cibernéticos e monitoramento ilegal de autoridades, jornalistas e investigações sigilosas.

O papel de Henrique Vorcaro na estrutura criminosa

Segundo os investigadores, Henrique Vorcaro não apenas financiava o grupo criminoso, mas atuava como “demandante, beneficiário e operador financeiro” da milícia particular. A decisão do STF cita que ele continuou solicitando serviços ilícitos e realizando repasses vultosos — como uma transferência de R$ 400 mil — mesmo após o início das fases ostensivas da Operação Compliance Zero e da prisão do filho, em novembro de 2025.

  • Liderança de “A Turma”: De acordo com relatórios da PF, o pai de Daniel Vorcaro mantinha contato frequente com o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional do núcleo de intimidação, que contava com policiais da ativa e aposentados, operadores do jogo do bicho e outros colaboradores. Mensagens apreendidas mostravam Henrique pedindo dados sigilosos de inquéritos e até discutindo pagamentos que chegavam a R$ 800 mil para manter a estrutura ativa.
  • Núcleo hacker “Os Meninos”: Enquanto “A Turma” atuava no mundo real, o grupo “Os Meninos” formava o braço digital do esquema, especializado em invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais, monitoramento telefônico ilegal e destruição de provas eletrônicas. A investigação aponta que ambos os núcleos eram indispensáveis para proteger os interesses de Daniel e Henrique Vorcaro e para tentar obstruir o avanço das apurações contra eles.

Pendências financeiras e defesa

Além das acusações criminais, Henrique Vorcaro tem pendências com o Fisco. Dados da Procuradoria-Geral da União (PGFN) mostram que o empresário acumula 36 dívidas ativas que somam aproximadamente R$ 8,5 milhões devidos à União, com registros desde 2021.

A defesa de Henrique Vorcaro, comandada pelo advogado Eugênio Pacelli, classificou a prisão como “grave e desnecessária”, alegando que a decisão se baseia em fatos cuja licitude e racionalidade econômica “ainda não foram comprovadas no processo”. A nota afirma que “o ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave”, e que o time jurídico cuidará “imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer”.

O financiamento do filme “Dark Horse” e a investigação da PF

No mesmo escopo da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal investiga o desvio de recursos do Banco Master para financiar a produção cinematográfica “Dark Horse” (Azarão), cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e relatórios da PF mostram que a empresa Entre Investimentos e Participações, usada como intermediária, recebeu R$ 159,2 milhões oriundos de fundos sob investigação por fraudes bilionárias.

  • Fluxo financeiro suspeito: A maior parte desses recursos, cerca de R$ 139,2 milhões, veio da Sefer Investimentos, empresa alvo da segunda fase da Compliance Zero. Outros R$ 20 milhões partiram do Fundo Gold Style, que é investigado por movimentar quase R$ 1 bilhão em conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A PF ainda tenta identificar quanto desse montante foi efetivamente destinado à produção do filme e quanto pode ter sido desviado para outros fins.
  • Envolvimento de Daniel Vorcaro: O contrato total para o filme previa cerca de R$ 124 milhões, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido pagos diretamente por Daniel Vorcaro, atualmente preso em Brasília. Mensagens e áudios divulgados pelo site The Intercept Brasil mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando pagamentos atrasados de Vorcaro e tratando de repasses de até US$ 10 milhões (cerca de R$ 61 milhões na época) para custear a obra.
  • Rede de empresas e investigação cruzada: A Entre Investimentos faz parte do conglomerado Entrepay, controlado pelo empresário Antonio Carlos Freixo Junior (conhecido como “Mineiro”), que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em março deste ano. O BC apontou “comprometimento da situação econômico-financeira” da companhia, descumprimento de normas regulatórias e risco para credores. Além da PF, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também apura operações atípicas envolvendo as mesmas empresas, incluindo emissões de títulos que teriam criado “liquidez artificial a ativos sem lastro”.

A 6ª fase da Operação Compliance Zero segue em andamento, com equipes da PF cumprindo as buscas e prisões nos três estados. Os investigados poderão responder por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. A expectativa das autoridades é que o aprofundamento das apurações sobre o financiamento do filme “Dark Horse” traga novos desdobramentos e possível responsabilização de outros envolvidos.

Com informações de Agência Brasil, CNN Brasil, G1, Poder360, TV Brasil, Folha de S.Paulo, O Tempo, Estadão, InfoMoney, UOL, Bahia Notícias, BBC News Brasil, Poder360, G1 ■

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