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EUA e Irã retomam negociações nucleares em Omã
Encontro ocorre após semanas de troca de ameaças e movimentação bélica, com os dois lados apresentando demandas consideravelmente divergentes para um possível acordo
Oriente-Medio
Foto: https://static.poder360.com.br/2026/02/eua-ira-oma-848x477.jpg
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■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

Nesta sexta-feira (6), emissários dos Estados Unidos e do Irã iniciaram negociações críticas em Mascate, capital de Omã, em um esforço para desescalar uma crise que trouxe os dois países à beira de um conflito militar. As conversas, mediadas pelo sultanato, são as primeiras desde junho de 2025, quando os EUA participaram de ataques aéreos israelenses contra instalações nucleares iranianas. O presidente americano, Donald Trump, afirma preferir a via diplomática, mas mantém uma retórica de força, declarando que "tem muitas opções à sua disposição além da diplomacia".

O cenário das negociações é marcado por um significativo acúmulo militar. Os Estados Unidos enviaram para a região o grupo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, navios de guerra, caças F-35 e outros recursos, descritos por Trump como uma "grande frota" ou "armada". Em resposta, a televisão estatal iraniana informou que um de seus mísseis balísticos mais avançados, o Khorramshahr 4, foi posicionado em uma base subterrânea, em uma demonstração de força horas antes do diálogo.

As delegações presentes refletem a importância do momento. O Irã é representado pelo seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. A delegação norte-americana é liderada pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e inclui Jared Kushner, genro e conselheiro do presidente. Até o momento, as reuniões ocorrem de forma indireta, com as partes se encontrando separadamente com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, que atua como intermediário.

Um dos principais obstáculos para o progresso é a clara divergência sobre a pauta das negociações. Ambos os lados chegam à mesa com exigências radicalmente diferentes:

  • Posição dos Estados Unidos: Washington quer ampliar o escopo das conversas muito além do programa nuclear. O secretário de Estado, Marco Rubio, listou que os EUA desejam discutir o fim do apoio iraniano a grupos armados na região, limitações ao programa de mísseis balísticos e até a forma como o governo trata seu próprio povo. O objetivo declarado da Casa Branca é uma "capacidade nuclear zero" para o Irã.
  • Posição do Irã: Teerã insiste que as conversas devem se restringir estritamente ao seu programa nuclear, que alega ter fins pacíficos. O chanceler Araghchi afirmou que o país entra na diplomacia "com olhos abertos e uma memória firme do ano passado", exigindo "igualdade de posição e respeito mútuo".

Especialistas sugerem que o regime iraniano está em uma posição fragilizada, o que pode influenciar sua disposição para negociar. O país enfrenta uma severa crise econômica agravada por sanções, sofreu reveses militares regionais e passou por uma violenta repressão a protestos internos em janeiro, que resultou em milhares de mortes. Segundo analistas, essa vulnerabilidade pode levar o governo a considerar concessões dolorosas sobre seu programa nuclear em troca de alívio econômico, na tentativa de garantir sua sobrevivência. No entanto, espera-se que pontos como o programa de mísseis e o apoio a aliados regionais permaneçam como linhas vermelhas intransponíveis para Teerã, por serem vistos como essenciais para sua defesa e influência.

A comunidade internacional observa com apreensão. Líderes regionais e globais expressaram preocupação com uma possível escalada:

  • O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou trabalhar para evitar um novo conflito.
  • O chanceler alemão, Friedrich Merz, pediu que o Irã ajude a trazer estabilidade à região.
  • A China declarou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou "intimidação unilateral".
  • Países árabes do Golfo, embora críticos do Irã, temem que suas bases e territórios se tornem alvo de retaliações em caso de ataque americano.

A incerteza sobre os objetivos finais de Trump também paira sobre as negociações. Fontes americanas indicam que não há consenso interno sobre se o objetivo de uma eventual ação militar seria forçar concessões, enfraquecer o regime ou buscar sua queda. Essa falta de clareza aumenta os riscos de um cálculo errado. A janela para a diplomacia parece estreita, com três cenários principais em perspectiva: um frágil acordo focado no nuclear, um impasse que mantém a ameaça militar latente ou uma falha nas negociações que desencadeie hostilidades abertas. O resultado terá profundas repercussões para a segurança e a economia global.

Com informações de: G1, The Guardian, UOL, CNN Brasil, NBC News, ITV News ■

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