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Doadores internacionais retêm bilhões para reconstrução de Gaza
Plano de paz dos EUA, que condiciona ajuda à desmilitarização, enfrenta ceticismo de aliados europeus e árabes e resistência do grupo militante palestino, deixando futuro do território em suspenso
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 04/02/2026

Um ambicioso plano dos Estados Unidos para a reconstrução da Gaza pós-guerra, avaliado em até US$ 100 bilhões, está paralisado antes mesmo de começar devido à relutância de doadores internacionais em liberar fundos. A hesitação surge em meio a um impasse crítico: a recusa do Hamas em desarmar-se completamente, uma condição prévia e fundamental estabelecida pela administração Trump para o início das obras de reconstrução e para a retirada total das tropas israelenses.

A segunda fase do "Plano Abrangente" do presidente Donald Trump foi formalmente iniciada com a formação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um governo tecnocrata palestino liderado por Ali Sha'ath. No entanto, a transição da trégua para uma paz estável está ameaçada. Fontes diplomáticas e relatórios indicam que governos europeus e estados árabes do Golfo se recusam a se comprometer financeiramente, exigindo supervisão da ONU sobre os fundos e citando limites fiscais domésticos.

O cerne do impasse é uma disputa de segurança que parece intransponível no curto prazo:

  • Posição dos EUA/Israel: O desarmamento completo do Hamas e de outros grupos militantes é um pré-requisito não negociável para a reconstrução. O enviado americano Steve Witkoff alertou que a não-compliance traria "sérias consequências".
  • Posição do Hamas: O grupo se mostra aberto a discutir a "neutralização" das armas, mas só aceitaria um desarmamento completo no contexto de um processo político que leve a um Estado palestino. Além disso, exige a integração de seus aproximadamente 10.000 policiais na nova força de segurança do NCAG, uma proposta que Israel rejeita veementemente.

A arquitetura de governança criada pelos EUA também é alvo de críticas e boycotts internacionais, aumentando seu isolamento. O "Board of Peace" (Conselho da Paz), presidido por Donald Trump, foi concebido para supervisionar a transição. No entanto, nações-chave como França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Canadá se recusaram a integrar o órgão. As objeções incluem:

  1. A inclusão de figuras como o presidente russo Vladimir Putin, considerado um pária global.
  2. A estrutura de poder que concede ao presidente Trump autoridade de veto unilateral e controle vitalício sobre o Conselho, ameaçando minar o sistema multilateral da ONU.
  3. O custo exorbitante de US$ 1 bilhão para ser um membro permanente do conselho.

Enquanto o impasse político e de segurança persiste, a situação humanitária em Gaza permanece desesperadora. Atrasos na liberação de fundos deixam a população incapaz de começar a limpar os escombros — estimados em 68 toneladas — ou reconstruir serviços essenciais. A ONU alerta que condições "perigosamente frágeis" prevalecem, e o sistema de saúde global, já sobrecarregado, enfrenta graves restrições de financiamento que afetam dezenas de milhões.

Com a possibilidade de Israel retomar uma operação militar de grande escala se o desarmamento não avançar, e com doadores segurando suas carteiras, o futuro do plano de paz americano e da própria Gaza parece incerto. A pressão agora está sobre mediadores regionais e sobre o próprio Hamas para encontrar uma solução, enquanto a comunidade internacional assiste com ceticismo.

Com informações de: Ground News, The White House, BBC, Al-Monitor, AOL, CEPS, Truthout ■

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