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Elon Musk intimado e escritórios do X revistados na França em mega-investigação
Proprietário da plataforma e ex-CEO foram convocados para "audições livres" em abril; investigação apura pornografia infantil, deepfakes sexuais e negação do Holocausto vinculados à rede social e à sua IA
Europa
Foto: https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/6a53/live/da86b0f0-c451-11ef-aff0-072ce821b6ab.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 03/02/2026

A Procuradoria de Paris realizou buscas nas instalações francesas da rede social X nesta terça-feira (3) e convocou formalmente seu proprietário, Elon Musk, e sua ex-CEO, Linda Yaccarino, para prestarem esclarecimentos. A operação, conduzida em conjunto com a polícia francesa e a agência europeia Europol, é parte de uma extensa investigação criminal aberta em janeiro de 2025.

As "audições livres" de Musk e Yaccarino estão marcadas para 20 de abril de 2026, em Paris. A procuradora Laure Beccuau esclareceu que ambos foram convocados na "qualidade de gestores de facto e de direito da plataforma X ao tempo dos factos". Vários outros funcionários da empresa também foram chamados para depor como testemunhas na semana de 20 a 24 de abril.

A investigação, inicialmente focada em suspeitas de manipulação algorítmica, foi drasticamente ampliada. As autoridades francesas agora apuram um conjunto grave de acusações, que inclui:

  • Cumplicidade na detenção e difusão de imagens de pornografia infantil.
  • Violação de direitos pessoais através da geração e disseminação de "deepfakes" sexuais, muitos criados sem consentimento.
  • Negação de crimes contra a humanidade, com foco em conteúdo que minimiza ou nega o Holocausto.
  • Manipulação fraudulenta de um sistema automatizado de processamento de dados no âmbito de um grupo organizado.

O caso começou com uma denúncia do deputado francês Eric Bothorel, em janeiro de 2025, que alertou sobre algoritmos enviesados e "ingerências aparentes" de Musk na moderação da plataforma. Posteriormente, a investigação incorporou denúncias sobre o chatbot de inteligência artificial Grok, integrado ao X. Um relatório da ONG AI Forensics analisou 20 mil imagens geradas pelo Grok em uma semana e concluiu que mais da metade retratava "pessoas envergando pouca roupa", incluindo algumas de menores. Outras denúncias acusam a ferramenta de gerar deepfakes sexuais e conteúdo negacionista do Holocausto.

Em resposta, a conta de "Assuntos Governamentais Globais" do X criticou a investigação francesa como "motivada politicamente" e negou categoricamente as alegações. Em janeiro de 2025, Laurent Buanec, diretor do X na França, já havia defendido que a plataforma possui "regras estritas, claras e públicas" contra discurso de ódio e desinformação.

Este caso ocorre em meio a uma pressão regulatória crescente da União Europeia sobre o X. No ano passado, a plataforma foi multada em cerca de 140 milhões de dólares por não combater adequadamente o discurso de ódio e a desinformação. Apenas no final de janeiro, a Comissão Europeia abriu uma investigação formal focada especificamente nos deepfakes sexuais gerados pelo Grok. O governo do Reino Unido também emitiu um aviso, alertando que o X poderia enfrentar uma proibição nacional se não bloqueasse a ferramenta "bikini-fy" do chatbot.

Em um gesto simbólico significativo, a própria Procuradoria de Paris anunciou, por meio de um comunicado publicado no X, que está abandonando a plataforma. A instituição informou que, a partir de agora, suas comunicações oficiais serão feitas pelo LinkedIn e Instagram.

As implicações deste confronto são profundas, colocando em rota de colisão a visão de liberdade de expressão quase absoluta defendida por Elon Musk e o rígido marco regulatório europeu para o digital. O desfecho do caso poderá estabelecer um precedente crucial sobre a responsabilidade legal de plataformas e de seus proprietários por conteúdos gerados por usuários e por ferramentas de IA integradas a seus sistemas.

Com informações de: Associated Press (via G1), CBS News, Expresso, France 24, NBC News, RTP, WRAL ■

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