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O ex-presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvédev, afirmou que o que chamou de "sequestro" do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos poderia ser considerado um "ato de guerra". A declaração severa amplifica a condenação internacional a uma operação militar sem precedentes na madrugada de 3 de janeiro de 2026, que capturou Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em sua residência em Caracas e os transportou para julgamento nos EUA.
A reação russa foi uma das mais veementes. O governo da Rússia exigiu a liberação imediata de Maduro, com o vice-ministro das Relações Exteriores, Serguéi Riabkov, classificando a ação como "pirataria política" e uma "grave violação das disposições do Direito Internacional". O ministro Serguéi Lavrov descreveu a operação como uma "brutal invasão armada". Analistas apontam que o tom agressivo de Medvédev, que já afirmou que "cada novo ultimato [de Trump] é um passo em direção à guerra", reflete a deterioração profunda nas relações entre Washington e Moscou.
Os detalhes da operação "Resolve Absoluta"
A captura foi o ápice da Operação Resolve Absoluta, um ataque militar coordenado. De acordo com reconstituições, a ação começou por volta das 2h da madrugada com uma campanha de supressão de defesas aéreas venezuelanas, incluindo ataques cibernéticos e bombardeios. Sob esta cobertura, helicópteros de forças especiais americanas infiltraram-se em Caracas, invadiram o complexo presidencial e capturaram Maduro, que foi impedido de alcançar seu bunker blindado. Ele e a primeira-dama foram levados para o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima e depois para Nova York. O saldo oficial foi de pelo menos 23 militares venezulanos, 32 membros de forças cubanas e dois civis mortos.
Justificativas dos EUA e reação venezuelana
O presidente americano, Donald Trump, justificou a operação como uma ação de aplicação da lei com apoio militar, citando sua autoridade constitucional. Maduro era procurado pelo Departamento de Justiça dos EUA desde 2020, com acusações de narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína, e uma recompensa por sua captura que chegou a US$ 50 milhões. Em sua primeira audiência, Maduro declarou-se "inocente" e "prisioneiro de guerra", invocando as Convenções de Genebra.
Internamente, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente encarregada de Venezuela. Em um discurso, ela exigiu a repatriação de Maduro, mas, segundo Trump, estaria disposta a cooperar com as demandas americanas. Essas demandas, conforme detalhadas pelo senador Marco Rubio, incluem mudanças na gestão da indústria petrolífera, fim do tráfico de drogas e expulsão de grupos militantes colombianos.
A questão do petróleo e a legalidade internacional
O petróleo venezuelano, as maiores reservas provadas do mundo, é um elemento central. Trump afirmou que companhias petrolíferas americanas investiriam bilhões no país e que os EUA tomariam controle das reservas como "reembolso pelos danos". Especialistas e vários países, no entanto, veem a operação como uma clara violação da soberania e da Carta da ONU. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o Reino Unido não estava envolvido e que, apesar de não considerar Maduro legítimo, precisava "averiguar todos os fatos" antes de julgar a legalidade.
Um futuro incerto e tensões globais
O sequestro de Maduro cria um precedente perigoso e expõe as frágeis normas da ordem internacional. A retórica de Medvédev, que já havia alertado que a ameaça de um conflito nuclear "sempre existe", demonstra como o episódio venezuelano se tornou um novo flanco de tensão entre potências nucleares. O destino de Maduro nos tribunais americanos e a capacidade do governo de Caracas de manter a soberania sob pressão externa definirão os próximos capítulos dessa crise, com profundas implicações para a América Latina e o mundo.
Com informações de: Legrand Continent, Wikipedia, Nodal, House of Commons Library, CNN, Le Monde Diplomatique ■