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Uma série de ataques coordenados realizados pelo grupo separatista Exército de Libertação do Balochistão (BLA, na sigla em inglês) desencadeou uma resposta militar massiva no sudoeste do Paquistão. Os confrontos, que se estenderam por cerca de 40 horas entre os dias 30 e 31 de janeiro de 2026, resultaram em pelo menos 193 mortes em toda a província do Balochistão, segundo balanços oficiais . O ministro-chefe do Balochistão, Sarfraz Bugti, afirmou que 145 militantes foram mortos pelas forças de segurança durante as operações de resposta e de perseguição . Do outro lado, os ataques do BLA mataram 31 civis e 17 membros das forças de segurança . Analistas descreveram o episódio como o dia mais mortífero para militantes na região em décadas .
Os ataques foram simultâneos e de larga escala, atingindo pelo menos nove distritos da província por volta das 3h do horário local do dia 30 de janeiro . Os militantes, alguns deles usando coletes suicidas, visaram múltiplos alvos:
O grupo BLA, proibido no Paquistão e designado como organização terrorista pelos Estados Unidos, reivindicou a responsabilidade pelos ataques, chamando a operação de "Herof" (Tempestade Negra) . Em uma declaração de propaganda, o grupo divulgou vídeos mostrando combatentes mulheres participando dos ataques e afirmou ter matado 84 agentes de segurança – alegação não verificada de forma independente e contestada pelas autoridades paquistanesas .
O governo paquistanês respondeu com fortes acusações de envolvimento estrangeiro. O ministro do Interior, Mohsin Naqvi, e o exército afirmaram que os ataques foram realizados por "militantes patrocinados pela Índia", referindo-se ao BLA como "Fitna al-Hindustan" . A Índia rejeitou veementemente as acusações. Randhir Jaiswal, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores indiano, classificou-as como "infundadas" e acusou o Paquistão de desviar a atenção de seus problemas internos . Autoridades paquistanesas também voltaram a acusar o Afeganistão de fornecer santuário para militantes, o que é negado pelo governo talibã em Cabul .
O conflito ocorre no contexto de uma insurgência separatista de décadas no Balochistão. Grupos étnicos balúchis acusam o governo central de Islamabad de explorar os vastos recursos naturais da província – que incluem minerais e faz parte do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC) – enquanto a população local permanece marginalizada e empobrecida . A violência se intensificou nos últimos meses, com o BLA e outros grupos realizando ataques mais ousados .
As reações internacionais aos ataques foram de condenação e solidariedade ao Paquistão:
No terreno, as autoridades impuseram restrições severas para conter a situação. A Seção 144 foi imposta em toda a província, proibindo ajuntamentos de mais de cinco pessoas. Serviços de internet móvel foram suspensos e veículos com vidros escurecidos foram banidos . Hospitais colocaram seus funcionários em regime de plantão durante as operações de rescaldo . A caça aos militantes remanescentes continuava nesta segunda-feira .
Com informações de: The Guardian, Wikipedia, Público, The Straits Times, Al Jazeera, The National, Associated Press, The Economic Times ■