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Atentado suicida em mesquita xiita deixa pelo menos 31 mortos e 169 feridos em Islamabad
Explosão no Imambargah Khadija Tul Kubra ocorre em meio a uma onda crescente de militância no Paquistão e levanta questões de segurança na capital
Oeste Asiatico
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRU5Bc59QFyHAxbcPbtGQ0qjqDmiaZ7snXcHQ&s
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■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

Um homem-bomba detonou explosivos durante as orações desta sexta-feira (06/02/2026) na mesquita Khadija Tul Kubra Imambargah, em uma área semiurbana nos arredores de Islamabad, capital do Paquistão. O ataque causou pelo menos 31 mortes e deixou 169 pessoas feridas, segundo autoridades policiais e governamentais. O número de vítimas ainda pode aumentar, já que muitos dos feridos estão em estado crítico.

Imagens do local mostraram um cenário de destruição, com corpos ensanguentados no chão acarpetado da mesquita, cercados por cacos de vidro e destroços, enquanto fiéis em pânico e feridos aguardavam ajuda nos jardins do complexo religioso. Testemunhas relataram entrar na mesquita após a explosão e encontrar dezenas de corpos e um número ainda maior de feridos gritando por socorro.

As primeiras investigações indicam que o ataque foi um atentado suicida. Fontes policiais relataram que o agressor foi "arado no portão da mesquita" antes de detonar a bomba. A polícia de Islamabad afirmou que ainda é cedo para determinar a natureza exata da explosão, mas que os indícios apontam para um ataque suicida.

O ataque tem um forte componente sectário. A mesquita alvo é um local de culto xiita, e essa minoria religiosa, que compõe cerca de 15-20% da população em um país de maioria sunita, tem sido historicamente alvo de violência por parte de grupos militantes sunitas. Embora nenhum grupo tenha reivindicado a responsabilidade imediatamente, a suspeita recai sobre organizações como:

  • O Tehrik-i-Taliban Paquistão (TTP), também conhecido como Talibã paquistanês, um grupo militante sunita que considera os xiitas hereges.
  • O Estado Islâmico – Província de Coraçone (EI-K), cuja filial regional já reivindicou ataques mortais contra a comunidade xiita no passado.

Este é o ataque mais mortal no Paquistão desde janeiro de 2023, quando uma explosão em uma mesquita em Peshawar matou mais de 100 pessoas. Ataques a bomba são considerados raros na capital Islamabad, que é uma cidade fortemente protegida. No entanto, o país tem enfrentado uma onda crescente de militância nos últimos anos. Em novembro do ano passado, um atentado suicida em Islamabad matou 12 pessoas, sendo o pior ataque na capital em quase duas décadas até então.

O ataque provocou fortes reações oficiais e internacionais:

  • O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, condenou o ataque, expressou profundo pesar e ordenou uma investigação completa.
  • O presidente Asif Ali Zardari afirmou que "atingir civis inocentes é um crime contra a humanidade".
  • A Embaixada dos Estados Unidos em Islamabad emitiu um comunicado condenando o atentado e oferecendo condolências, afirmando que "o povo do Paquistão merece segurança, dignidade e a capacidade de praticar sua fé sem medo".
  • Líderes da comunidade xiita, como Raja Nasir, expressaram profunda tristeza e questionaram publicamente as falhas na proteção de vidas humanas e no desempenho das agências de segurança.

O atentado ocorreu em um momento de destaque diplomático, durante a visita oficial de dois dias do presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, a Islamabad. O evento oficial com a presença do primeiro-ministro Sharif e do presidente uzbeque ocorria a alguns quilômetros de distância do local da explosão.

Este ataque segue um padrão histórico de violência sectária no Paquistão. Em março de 2022, um ataque suicida reivindicado pelo Estado Islâmico contra uma mesquita xiita no bazar Qissa Khwani, em Peshawar, matou 63 pessoas. Em janeiro de 2023, outro ataque massivo em Peshawar deixou mais de 100 mortos. A repetição desses ataques contra locais de culto durante as orações coletivas, especialmente às sextas-feiras, levanta preocupações contínuas sobre a proteção das minorias religiosas no país.

Com informações de: CNN, UOL (Reuters), NBC News, BBC Verify, Agência Brasil (EBC), O Globo e AOL.com ■

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