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Uma crise financeira de proporções bilionárias atinge o Banco de Brasília (BRB) após operações fracassadas com o Banco Master, escândalo que envolve a gestão do governador Ibaneis Rocha e reacende o debate sobre a privatização do banco público. O rombo, ainda em auditoria, pode superar a marca de R$ 3 bilhões e obrigou o GDF a anunciar cortes drásticos em todas as áreas para tentar equilibrar as contas.
O núcleo da crise está em uma tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, operação que contou com aval do Governo do Distrito Federal, controlador de 71.92% do banco público. No entanto, a transição revelou um cenário caótico. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que a instituição excluiu R$ 51,2 bilhões em ativos e passivos do Master durante a negociação, valores que sequer chegaram à mesa de discussão. Além disso, outros R$ 5 bilhões em ativos oferecidos foram negados após avaliação de risco e compliance. A operação, barrada pelo Banco Central, nunca se concretizou, mas o BRB já havia aportado R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025.
O desfecho foi a liquidação extrajudicial do Banco Master e o início da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga indícios de gestão fraudulenta. O foco é entender se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas (as chamadas "carteiras podres") do Master, com falhas graves nos processos internos de análise. Paulo Henrique Costa foi afastado e depois demitido da presidência do BRB em novembro de 2025 no âmbito desta operação.
Cortes, empréstimos e venda de imóveis: o plano de resgate
Para cobrir o prejuízo bilionário, o BRB e o GDF avaliam um plano de capitalização desesperado que inclui:
Este plano, ainda em elaboração, precisa ser aprovado pelo Banco Central e pela Câmara Legislativa do DF. Enquanto isso, a crise fiscal se aprofunda. Ibaneis Rocha anunciou bloqueios drásticos no orçamento, congelando verbas inclusive da Secretaria de Comunicação, que teve R$ 63,7 milhões retidos.
O "fantasma" da privatização e a rede de mídia pag
A dimensão do rombo reacendeu com força o debate sobre a privatização do BRB. Críticos argumentam que a má gestão política e a exposição a operações de alto risco comprovam a inviabilidade de um banco público sob comando do governo. A crise também escancarou um mecanismo usado pela gestão para amortecer críticas: uma rede de blogs e sites "alternativos" financiados com verba pública.
Por anos, esses veículos, enquadrados como "comunicação comunitária", receberam verbas milionárias para divulgar ações do governo, produzindo conteúdo majoritariamente favorável e minimizando escândalos. Com os cortes orçamentários impostos pela crise do BRB, essa fonte de receita secou, atingindo os mesmos veículos que ajudaram a camuflar os problemas agora expostos. A ironia é que a má gestão que evitaram noticiar agora ameaça sua própria existência.
O que esperar dos próximos capítulos
O caso Master expõe mais que um rombo contábil; revela uma teia de aprovações políticas questionáveis, falhas de governança e o uso de recursos públicos para sustentar uma narrativa de sucesso que agora desmorona.
Com informações de: CNN Brasil, G1
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