Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Rombo bilionário do BRB: como uma tentativa de compra fantasma drenou os cofres públicos
Investigação da PF revela que aquisição frustrada do Banco Master, com aval do governo Ibaneis, deixou um prejuízo que supera R$ 3 bilhões e reacende o debate sobre a privatização do banco público, enquanto uma rede de blogs financiada pelo GDF perde sua fonte de renda
Politica
Foto: https://assets.brasildefato.com.br/2026/01/0d4a9528.jpg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 30/01/2026

Uma crise financeira de proporções bilionárias atinge o Banco de Brasília (BRB) após operações fracassadas com o Banco Master, escândalo que envolve a gestão do governador Ibaneis Rocha e reacende o debate sobre a privatização do banco público. O rombo, ainda em auditoria, pode superar a marca de R$ 3 bilhões e obrigou o GDF a anunciar cortes drásticos em todas as áreas para tentar equilibrar as contas.

O núcleo da crise está em uma tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, operação que contou com aval do Governo do Distrito Federal, controlador de 71.92% do banco público. No entanto, a transição revelou um cenário caótico. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que a instituição excluiu R$ 51,2 bilhões em ativos e passivos do Master durante a negociação, valores que sequer chegaram à mesa de discussão. Além disso, outros R$ 5 bilhões em ativos oferecidos foram negados após avaliação de risco e compliance. A operação, barrada pelo Banco Central, nunca se concretizou, mas o BRB já havia aportado R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025.

O desfecho foi a liquidação extrajudicial do Banco Master e o início da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga indícios de gestão fraudulenta. O foco é entender se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas (as chamadas "carteiras podres") do Master, com falhas graves nos processos internos de análise. Paulo Henrique Costa foi afastado e depois demitido da presidência do BRB em novembro de 2025 no âmbito desta operação.

Cortes, empréstimos e venda de imóveis: o plano de resgate

Para cobrir o prejuízo bilionário, o BRB e o GDF avaliam um plano de capitalização desesperado que inclui:

  • A contratação de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
  • Aporte direto de recursos dos acionistas controladores (o próprio GDF);
  • A criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com imóveis do governo do Distrito Federal.

Este plano, ainda em elaboração, precisa ser aprovado pelo Banco Central e pela Câmara Legislativa do DF. Enquanto isso, a crise fiscal se aprofunda. Ibaneis Rocha anunciou bloqueios drásticos no orçamento, congelando verbas inclusive da Secretaria de Comunicação, que teve R$ 63,7 milhões retidos.

O "fantasma" da privatização e a rede de mídia pag

A dimensão do rombo reacendeu com força o debate sobre a privatização do BRB. Críticos argumentam que a má gestão política e a exposição a operações de alto risco comprovam a inviabilidade de um banco público sob comando do governo. A crise também escancarou um mecanismo usado pela gestão para amortecer críticas: uma rede de blogs e sites "alternativos" financiados com verba pública.

Por anos, esses veículos, enquadrados como "comunicação comunitária", receberam verbas milionárias para divulgar ações do governo, produzindo conteúdo majoritariamente favorável e minimizando escândalos. Com os cortes orçamentários impostos pela crise do BRB, essa fonte de receita secou, atingindo os mesmos veículos que ajudaram a camuflar os problemas agora expostos. A ironia é que a má gestão que evitaram noticiar agora ameaça sua própria existência.

O que esperar dos próximos capítulos

  1. Aprovação do Plano: O BRB tem até março para apresentar o plano definitivo de capitalização ao Banco Central. Sua viabilidade dependerá da capacidade do GDF de levantar recursos e da disposição política dos deputados distritais em endossar a venda de patrimônio público.
  2. Avanço das Investigação: A Operação Compliance Zero e os trabalhos do Ministério Público devem detalhar as responsabilidades pelo prejuízo, podendo atingir mais nomes da cúpula do banco e do governo.
  3. Pressão Política: O governador Ibaneis Rocha, que já declarou ter patrimônio para "socorrer" o BRB, enfrenta crescente desgaste. O escândalo deve dominar o debate político no DF e influenciar as eleições futuras.

O caso Master expõe mais que um rombo contábil; revela uma teia de aprovações políticas questionáveis, falhas de governança e o uso de recursos públicos para sustentar uma narrativa de sucesso que agora desmorona.


Com informações de: CNN Brasil, G1

Mais Notícias