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A crise e posterior liquidação do Banco Master em novembro de 2025 se configuram como um dos maiores escândalos financeiros recentes do Brasil. No centro da investigação, está a atuação - ou a ausência dela - do Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto, que teria permitido que o banco de Daniel Vorcaro operasse em estado de insolvência crônica enquanto buscava desesperadamente uma salvação com dinheiro público.
Em vez de uma intervenção direta, Campos Neto teria optado por um caminho tortuoso: permitir uma "solução particular" às custas do contribuinte para salvar uma operação que os relatórios internos do próprio BC já apontavam como um "buraco sem fundo".
Desde fins de 2023, o Banco Master patinava em uma grave crise de liquidez. Documentos internos do BC mostram que, em meados de 2024, o banco falhou em apresentar capacidade de captação de mercado. A expectativa era que levantasse R$ 15 bilhões para mostrar solidez, mas conseguiu apenas R$ 2 bilhões. Em novembro daquele ano, o BC identificou que o Master já não conseguia pagar suas obrigações vencidas - o calote acontecia ao vivo, diante das autoridades.
Operações atípicas e claros sinais de alerta foram registrados, mas não resultaram em ação enérgica:
Enquanto o Master derretia, o Banco de Brasília (BRB), uma instituição pública controlada pelo governo do Distrito Federal, iniciou em julho de 2024 a injeção de bilhões de reais no conglomerado de Vorcaro, através da compra de carteiras de crédito de qualidade questionável. Esta movimentação ocorreu nas mesmas semanas em que o BC registrava a incapacidade do Master de conseguir dinheiro no mercado.
O governador Ibaneis Rocha tornou-se um defensor público da operação, chegando a afirmar em um evento em Dubai que a compra de parte do Master pelo BRB era uma "operação que tem muito pouco risco". Esta declaração andava na contramão da realidade dos balanços: o Master operava com CDBs pagando juros até 40% acima do mercado, exposição dezenas de vezes além do limite regulatório e um caixa virtualmente vazio.
Em março de 2025, o BRB formalizou a proposta de compra de 58% do capital do Master por cerca de R$ 2 bilhões. A operação, no entanto, enfrentou uma série de entraves:
Analistas apontam que o caso Master não é um episódio isolado, mas o produto de uma arquitetura do sistema financeiro baseada em baixa regulação, alta opacidade e incentivos à irresponsabilidade. Durante a gestão de Roberto Campos Neto, o BC teria se orientado por uma "visão dogmática de mercado autorregulado e pela redução deliberada da supervisão substantiva".
Essa postura permitiu que prosperasse um modelo de negócios baseado em:
O FGC, nesse contexto, teria atuado como um "incentivo perverso", dando uma falsa sensação de segurança que permitia aos bancos assumirem riscos excessivos. Na data de sua liquidação, o Master deveria ter depositado R$ 2,5 bilhões no FGC, mas mantinha apenas R$ 22,9 milhões - uma ninharia.
A farsa não poderia se sustentar indefinidamente. Em novembro de 2025, já sob o comando de Gabriel Galípolo no BC, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado Master, motivada por "grave crise de liquidez" e "graves violações" às normas. Um dia antes, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos.
O caso gerou uma onda de repercussões que atingiu as mais altas esferas do Estado:
O artigo de Leandro Demori e as investigações subsequentes deixam uma série de interrogações sobre o período em que Roberto Campos Neto comandou o Banco Central:
Roberto Campos Neto deixou o BC em dezembro de 2024 como um "ícone da autonomia" do banco central, legando ao seu sucessor, Gabriel Galípolo, "o trabalho de descascar o pepino da maior fraude bancária da história do Brasil". O caso Master expõe, assim, as profundas fissuras entre a retórica de um mercado autorregulado e a realidade de um sistema que, na prática, socializou prejuízos e premiou a irresponsabilidade, sob o olhar passivo de seu principal fiscal.
Com informações de: ICL Notícias, G1, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, BN Amazonas
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