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Polícia desarticula central de golpes no coração financeiro do país
Operação "Título Sombrio" prende 12 suspeitos de aplicar fraudes que usavam ordens judiciais falsas e ameaças para extorquir principalmente idosos
America do Sul
Foto: https://cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com/estadao/YBAXXIACGJARLPY2UVRZCJIZZI.jpg
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■   Bernardo Cahue, 23/01/2026

A Polícia Civil de São Paulo desarticulou nesta quinta-feira (22) uma central de golpes que operava em um prédio comercial na Avenida Brigadeiro Faria Lima, região conhecida como o coração financeiro do país. A ação, batizada de Operação "Título Sombrio", resultou na prisão de 12 suspeitos, que foram encaminhados à 4ª Delegacia da DCCIBER (Delegacia de Investigações sobre Lavagem e Ocultação de Ativos Ilícitos por Meios Eletrônicos).

Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a escolha do endereço de alto padrão não foi por acaso: a localização era usada para dar aparência de legitimidade e credibilidade ao esquema fraudulento.

O Alvo Preferencial: Idosos

As investigações apontam que os criminosos tinham um alvo preferencial: pessoas idosas. Eles obtinham dados pessoais e financeiros de forma ilícita e, com essas informações em mãos, abordavam as vítimas. O golpe se baseava na cobrança de supostas dívidas reais ou fictícias, os chamados "créditos podres", com ameaças graves para forçar o pagamento.

O Passo a Passo da Fraude

O modus operandi da quadrilha era metódico e aplicado em etapas para confundir e amedrontar as vítimas:

  1. Contato Inicial com Mensagens Falsas: A vítima recebia mensagens (por SMS ou aplicativos) que simulavam ordens judiciais ou alertas de bloqueio do CPF. As mensagens usavam jargão jurídico-fiscal para parecerem verdadeiras. Um dos textos padronizados apreendidos pela polícia dizia: "O motivo do contato é referente a uma liminar expedida junto ao TJA (Tribunal de Justiça Arbitral) no CPF [número do CPF] onde foi solicitado o bloqueio de contas e benefícios governamentais a partir das 14h".
  2. Direcionamento para o Atendimento Telefônico: A mensagem instruía a pessoa a entrar em contato por telefone. Ao ligar, a vítima era atendida por um dos integrantes do esquema que se passava por funcionário de setores de cobrança, jurídico ou até do Poder Judiciário.
  3. Ameaças e Intimidação: Durante a ligação, os criminosos aplicavam pressão psicológica, ameaçando as vítimas com penhoras de bens, protestos em cartório e bloqueio de benefícios como aposentadoria caso o valor alegado não fosse pago imediatamente.
  4. Pagamento da Falsa Dívida: Com medo das consequências, as vítimas, principalmente idosos, eram convencidas a realizar transferências ou pagamentos para as contas controladas pela organização criminosa.

Uma Empresa "Híbrida" para Disfarçar o Crime

A polícia descobriu que a operação fraudulenta se escondia atrás de uma empresa de fachada "híbrida". Parte de suas atividades era voltada para cobranças de dívidas legítimas, enquanto outra divisão era inteiramente dedicada à aplicação dos golpes.

Para complexar a estrutura e dificultar o rastreamento, os investigados criaram uma rede de empresas interligadas que compartilhavam:

  • Sócios e administradores ;
  • Endereços comerciais ;
  • Dados operacionais e contábeis ;
  • Em alguns casos, utilizavam "laranjas" (pessoas que emprestam seus nomes) para figurar como titulares.

A Operação Policial

A operação que levou à desarticulação do esquema foi conduzida pela 4ª Delegacia da DCCIBER. Além do endereço nobre na Faria Lima, os policiais também cumpriram mandados em uma segunda base da fraude, localizada em Carapicuíba, na Região Metropolitana de São Paulo.

No local, foram apreendidos documentos, computadores e celulares usados para entrar em contato com as vítimas e aplicar os golpes. A investigação continua para apurar a extensão total dos crimes e identificar todas as vítimas.

Com informações de: G1, CNN Brasil, Terra, Estadão, O Dia ■

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