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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou integralmente nesta quinta-feira (8) o Projeto de Lei 2.162/2023, conhecido como PL da Dosimetria. A proposta, aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro, estabelecia novas regras para o cálculo de penas que beneficiariam condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A assinatura do veto foi carregada de simbolismo. Ela ocorreu durante a cerimônia no Palácio do Planalto que marca os três anos da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília. O anúncio foi recebido com gritos de "sem anistia" por parte dos apoiadores do governo presentes ao ato.
O PL da Dosimetria propunha mudanças profundas na execução penal para crimes contra a democracia. Se sancionado, o texto teria os seguintes principais efeitos:
Estas regras representariam uma redução significativa no tempo de prisão. No caso de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses, os cálculos indicavam que o tempo em regime fechado poderia cair dos atuais 5 anos e 11 meses para cerca de 3 anos e 3 meses, ou até menos.
Ao anunciar a decisão, Lula defendeu o processo judicial que condenou os envolvidos na trama golpista. "Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas", afirmou o presidente.
Em seu discurso, que também fez um balanço dos três anos de governo, Lula enalteceu o Supremo Tribunal Federal (STF) e citou o poeta George Santayana: "Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo. Em nome do futuro, não temos hoje o direito de esquecer o passado". A fala também incluiu críticas indiretas à Operação Lava Jato, mencionando "Power Points fajutos", em contraste com as provas apresentadas nos julgamentos do 8 de Janeiro.
A cerimônia no Planalto foi marcada por notáveis ausências que evidenciam o desgaste político em torno do tema. Não compareceram os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), nem o presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Essas ausências são interpretadas como um sinal de desconforto com o veto e com o tom político do evento, especialmente em um ano eleitoral. Parlamentares da oposição e do centrão avaliam que Lula está "fazendo uso político" da data. O descontentamento no Congresso é palpável, com líderes como o relator do projeto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), classificando o veto como "absurdo" e uma opção pelo "conflito".
Com o veto presidencial, o projeto retorna ao Poder Legislativo. Cabe agora ao Congresso Nacional, em sessão conjunta, decidir se mantém ou derruba a decisão de Lula.
O processo para derrubar o veto exige maioria qualificada:
A oposição já sinalizou que irá articular a derrubada do veto assim que o Congresso retomar seus trabalhos, em fevereiro. Caso o veto seja derrubado, o projeto se torna lei e pode ainda ser questionado perante o Supremo Tribunal Federal por partidos políticos, pela Procuradoria-Geral da República ou pelo próprio governo.
O destino final do PL da Dosimetria, portanto, ainda é incerto e deve acirrar ainda mais o embate político entre o Planalto e o Congresso nas próximas semanas.
Com informações de: G1, Agência Brasil, CNN Brasil, UOL, BBC, Gazeta do Povo, Poder360, Revista Oeste, Metrópoles ■