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EUA apreendem petroleiro de bandeira russa em operação transatlântica com apoio britânico
Após 19 dias de perseguição, captura do navio Marinera, acusado de burlar sanções, gera crise diplomática e protesto formal de Moscou
Europa
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■   Bernardo Cahue, 08/01/2026

Em uma operação militar de alto risco que atravessou o oceano Atlântico, os Estados Unidos apreenderam o petroleiro Marinera, que navegava com bandeira russa, na madrugada desta quarta-feira (7). A ação, que contou com suporte logístico e militar decisivo do Reino Unido, foi justificada pela Casa Branca como o cumprimento de sanções internacionais contra uma embarcação considerada "apátrida" e parte da "frota das sombras" que transporta petróleo venezuelano e iraniano. O Kremlin, por sua vez, condenou veementemente o ato, classificando-o como uma "violação do direito marítimo internacional".

A apreensão encerrou uma dramática perseguição que começou em 20 de dezembro, quando a Guarda Costeira dos EUA tentou pela primeira vez deter o navio — então chamado Bella 1 — perto da Venezuela. Durante a fuga, a tripulação do petroleiro adotou táticas de evasão, que incluíram:

  • Pintar uma bandeira russa no casco do navio para reivindicar proteção de Moscou.
  • Alterar o nome da embarcação para Marinera e buscou um registro temporário russo.
  • Desligar com frequência os sistemas de comunicação e localização, navegando de forma clandestina.

A operação final de captura, nas águas do Atlântico Norte a sudoeste da Islândia, só foi possível com o apoio direto das forças britânicas. De acordo com o Ministério da Defesa do Reino Unido, o apoio incluiu:

  1. Uso de bases aéreas britânicas para preparação e lançamento de aeronaves americanas.
  2. Vigilância aérea realizada pela Royal Air Force (RAF).
  3. Suporte de reabastecimento fornecido pelo navio da Marinha Real RFA Tideforce.
O secretário de Defesa britânico, John Healey, defendeu a ação, afirmando que o navio tinha um "histórico nefasto" e fazia parte de um "eixo russo-iraniano de evasão de sanções".

A reação russa foi imediata e de forte reprovação. O Ministério dos Transportes da Rússia declarou ter perdido contato com o navio após a abordagem e emitiu um comunicado enfatizando que "nenhum Estado tem o direito de usar a força contra navios devidamente registrados nas jurisdições de outros países". O Ministério das Relações Exteriores exigiu que os EUA garantissem um "tratamento humano e adequado" à tripulação e permitissem seu pronto retorno. A tensão foi amplificada pelo fato de que, nos dias anteriores à apreensão, a Rússia havia despachado um submarino e outras embarcações de guerra para uma missão de escolta ao petroleiro, conforme reportado pelo Wall Street Journal.

Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram a apreensão de um segundo petroleiro, o M/T Sophia, no Mar do Caribe. A embarcação, descrita como "apátrida" e pertencente à frota fantasma, foi interceptada carregando cerca de 2 milhões de barris de petróleo venezuelano. As duas capturas fazem parte de uma campanha mais ampla de aplicação de um "bloqueio total" ordenado pelo presidente Donald Trump contra o petróleo sancionado da Venezuela.

Com informações de: G1, The Guardian, BBC, NBC News, Agência Brasil, CNN Brasil ■

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