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Após veto conjunto com a França em dezembro, governo de Giorgia Meloni sinaliza voto favorável após garantia de 45 bilhões de euros em apoio antecipado aos agricultores europeus. Assinatura pode ocorrer já na próxima semana.
Em uma reviravolta decisiva após mais de 25 anos de negociações, a União Europeia (UE) está a um passo de assinar o ambicioso acordo de livre-comércio com o Mercosul. O avanço ocorreu após a Comissão Europeia conquistar o apoio crucial da Itália, que até dezembro formava uma frente de resistência ao lado da França. A chave para a mudança foi uma carta da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, propondo um acesso antecipado a 45 bilhões de euros (cerca de R$ 286 bilhões) em financiamento para a Política Agrícola Comum (PAC) a partir de 2028.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, descreveu a proposta como um "passo positivo e significativo". O ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, afirmou que a UE agora propõe aumentar os gastos com a agricultura italiana no período 2028-2034, em vez de reduzi-los. Uma fonte da UE confirmou que, com isso, a Itália votará a favor do acordo em uma reunião crucial marcada para esta sexta-feira (9).
O acordo, que seria o maior da história da UE em termos de redução de tarifas, teve sua assinatura frustrada no final de 2025. A Itália e a França bloquearam o consenso, alegando a necessidade de resolver os temores dos agricultores europeus, que receavam um influxo de commodities mais baratas do Mercosul, como carne bovina e açúcar.
Naquele momento, o presidente francês, Emmanuel Macron, foi enfático: "consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado". Ele exigiu salvaguardas mais robustas e se opôs a qualquer "tentativa de forçar" a adoção do pacto. A Itália juntou-se à posição, tornando matematicamente impossível alcançar a maioria qualificada necessária na UE (apoio de 15 Estados-membros que representem 65% da população do bloco).
A oposição ao acordo concentrava-se em um grupo de países:
O tratado UE-Mercosul é considerado um marco estratégico. Ele criaria uma zona de livre-comércio abrangendo cerca de 780 milhões de pessoas e um quarto do PIB global. Para a UE, defende-se que o acordo é vital para:
O comércio entre os blocos seria significativamente liberalizado. Os produtos sul-americanos com maior potencial de exportação para a UE incluem carne bovina, arroz, mel, soja e açúcar. Em contrapartida, o Mercosul importaria da Europa veículos, maquinário, chocolates, vinhos e produtos químicos e farmacêuticos. O acordo também abrange temas como serviços, investimentos e propriedade intelectual.
Com o suposto voto favorável da Itália, a assinatura formal do acordo poderá acontecer já em 12 de janeiro. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar à América Latina para a cerimônia.
Do lado do Mercosul, a expectativa é de otimismo. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (6) que o acordo está "bem encaminhado" e será "o maior acordo do mundo" em um momento de instabilidade geopolítica. O governo brasileiro também destacou a conclusão recente de outros acordos comerciais, como os firmados com Singapura e com a EFTA (Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia).
Entretanto, a assinatura é apenas o próximo passo. O texto ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos nacionais de todos os 27 países da UE e pelos congressos dos países do Mercosul, um processo que pode levar anos. A promessa de financiamento antecipado aos agricultores europeus, no valor de 45 bilhões de euros, está atrelada à aprovação do próximo orçamento plurianual da UE (2028-2034) e visa justamente aplacar as resistências domésticas durante esse longo período de ratificação.
Com informações de: G1, CNN Brasil, UOL Economia, Euronews, Terra, Gov.br MDIC, Agência Brasil, Deutsche Welle, InfoMoney ■