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Sufocado por dívida de R$ 300 Bi, Tarcísio aceita programa de socorro de Lula
Após meses de duras críticas, governador sanciona lei que adere São Paulo ao programa federal de refinanciamento, em movimento que mistura alívio fiscal e estratégia política para 2026
Politica
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■   Bernardo Cahue, 31/12/2025

A Decisão e os Números da Crise

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sancionou a Lei Estadual nº 18.380/2025, autorizando a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), criado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) . A decisão representa uma reversão completa de posição diante da dívida estadual, que ultrapassa R$ 300 bilhões, a maior do país .

Com a adesão, São Paulo poderá deixar de pagar cerca de R$ 63 bilhões à União ao longo do novo acordo, segundo estimativas do Tesouro Nacional . A lei paulista autoriza especificamente o uso de recebíveis da exploração de petróleo e gás natural para quitar as parcelas renegociadas .

O que é o Propag e Como Funciona

Criado pela Lei Complementar nº 212/2025, o Propag é um mecanismo de renegociação das dívidas estaduais com a União. Seu funcionamento pode ser resumido em três pontos principais :

  • Revisão das condições: O programa prevê a redução das taxas de juros e o alongamento dos prazos de pagamento das dívidas.
  • Contrapartida dos estados: Os entes federados devem aplicar parte dos valores economizados em investimentos públicos e políticas de desenvolvimento regional.
  • Novos mecanismos: Após flexibilização pelo Congresso, os estados podem usar recursos futuros do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) para amortizar parte do débito, podendo abater até 20% do estoque no caso paulista .

Um Recuo Político Estratégico

A adesão é vista como um recuo político significativo de Tarcísio. No início de 2025, ele havia descartado publicamente a participação no Propag, alegando insegurança jurídica e impactos negativos nas finanças estaduais, chegando a oficializar que o estado ficaria de fora . A mudança ocorreu após a derrubada de vetos presidenciais pelo Congresso, que tornou o acordo mais vantajoso financeiramente .

Com essa decisão, Tarcísio segue o caminho de outros governadores aliados do bolsonarismo que também aderiram ao programa federal, como Cláudio Castro (PL-RJ) e Romeu Zema (Novo-MG) .

O Pano de Fundo da Sucessão Presidencial de 2026

A decisão fiscal ocorre em um momento de intensa especulação sobre a eleição presidencial de 2026, onde Tarcísio é frequentemente citado como potencial candidato da direita . Analistas apontam que o governador busca se consolidar como uma alternativa que une o núcleo duro bolsonarista a eleitores moderados .

Pesquisas eleitorais apresentam cenários variados. Em simulações de primeiro turno contra Lula, Tarcísio aparece com cerca de 30% das intenções de voto, enquanto o presidente tem cerca de 48% . Para o mercado financeiro, Tarcísio é visto como um nome que traria maior previsibilidade econômica e compromisso com reformas e disciplina fiscal .

Do lado do Planalto, assessores de Lula avaliam que uma candidatura de Tarcísio, descrito por um ministro como o “candidato da Faria Lima, dos bancos, das fintechs”, pode ser estrategicamente vantajosa para o PT, polarizando a disputa entre "o povão e a elite" .

Repercussões e Críticas

A adesão ao Propag gerou reações imediatas. Na visão de apoiadores do governo federal, a medida mostra a dependência de governadores opositores em relação ao auxílio da União quando “as contas apertam” . O apoio explícito da revista britânica The Economist a uma candidatura de Tarcísio em 2026, citando-o como “ponderado e democrata”, foi rebatido pela ministra Gleisi Hoffmann, que acusou a publicação de defender os interesses do sistema financeiro global .

Internamente, a decisão alivia a imensa pressão fiscal sobre o maior orçamento estadual do país, liberando recursos para outras áreas. No tabuleiro político nacional, no entanto, submete Tarcísio à crítica de ter se curvado a um programa do governo que antes criticava, ao mesmo tempo em que busca garantir a saúde financeira de seu estado e de sua base política com a aproximação do ciclo eleitoral .

Com informações de: revistaforum.com.br, atarde.com.br, Veja, Brazil Journal, CartaCapital, Facebook (Planta?o Brasil), Gazeta do Povo, areavip.com.br, congressoemfoco.com.br ■

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