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Hamas acusa Israel de mais de 800 violações a acordo
Grupo palestino afirma que violações "flagrantes e ultrajantes" ameaçam a trégua. Enquanto isso, plano de paz de 20 pontos enfrenta obstáculos na implementação de suas fases seguintes
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 16/12/2025

O Hamas acusou Israel de cometer mais de 800 violações ao acordo de cessar-fogo em vigor na Faixa de Gaza desde outubro de 2025, classificando-as como "flagrantes e ultrajantes" e alertando que elas ameaçam a continuidade do acordo . As denúncias ocorrem em um momento de fragilidade no processo de paz, mediado pelos Estados Unidos, e são acompanhadas de críticas internacionais, incluindo do governo brasileiro .

De acordo com Ghazi Hamad, um dos líderes do Hamas, desde que a trégua entrou em vigor, foram registradas mais de 813 violações israelenses, uma média de 25 por dia . As acusações detalhadas incluem:

  • Vítimas civis: Quase 400 palestinos mortos, sendo mais de 95% civis. Deste total, 36% seriam crianças e 15% mulheres .
  • Bloqueio humanitário: Restrições severas à entrada de itens básicos, alimentos, medicamentos e barracas de abrigo, usando a ajuda como "instrumento de pressão" .
  • Destruição de residências: Demolição diária de áreas residenciais, com 145 casas destruídas para tornar locais inabitáveis para palestinos .
  • Ataques militares: Ofensivas contra forças de resistência e ataques aéreos que resultaram em dezenas de mortes em diferentes áreas de Gaza .

A Posição de Israel e as Acusações Mútuas

Israel, por sua vez, nega as violações e acusa o Hamas de descumprir o acordo. O Exército israelense justificou ações afirmando que foram respostas a ataques do grupo palestino. Em um incidente, militares alegaram que militantes do Hamas abriram fogo contra tropas, o que levou a uma reação israelense . As Forças de Defesa de Israel (FDI) também afirmaram que alguns palestinos ignoraram avisos para não se aproximarem de zonas de cessar-fogo, forçando as tropas a "abrir fogo para remover a ameaça" .

Um dos principais pontos de discórdia é a devolução dos corpos dos reféns israelenses mortos. Israel exige a entrega de todos os 28 corpos, enquanto o Hamas afirma já ter devolvido parte deles. O grupo argumenta que a entrega dos demais exige maquinário pesado para escavação em uma Gaza devastada, equipamento que tem entrada bloqueada por Israel .

Reações da Comunidade Internacional e Crise Humanitária

As violações alegadas repercutiram internacionalmente. O governo brasileiro emitiu uma nota condenando as ações israelenses, afirmando que Israel viola os termos do acordo e tenta "colonizar a Palestina" . O Itamaraty expressou preocupação com a suspensão da ajuda humanitária e com a expansão de assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia .

Os Estados Unidos, mediador do acordo, adotaram um tom mais cauteloso. Questionado sobre um ataque israelense específico, o presidente Donald Trump respondeu: "vamos ter que ver, estamos analisando isso", sem confirmar a abertura de uma investigação formal . Fontes norte-americanas relataram que uma "dura mensagem privada" foi enviada ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, embora Trump tenha negado publicamente qualquer estremecimento nas relações .

O cenário no terreno continua crítico. Milhares de toneladas de ajuda humanitária de agências como a ONU permanecem retidas nas fronteiras de Gaza . A população civil, que enfrenta deslocamento em massa e a destruição de infraestrutura básica, vive uma situação descrita por organismos internacionais como catastrófica.

O Plano de Paz e os Desafios pela Frente

O atual cessar-fogo é a primeira fase de um plano de paz abrangente de 20 pontos anunciado pelo presidente Trump em setembro de 2025 . O acordo, selado em outubro, previa:

  1. Fim imediato dos bombardeios e recuo das tropas israelenses para linhas predeterminadas .
  2. Libertação de todos os reféns vivos mantidos pelo Hamas em troca da soltura de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos .
  3. Aumento significativo da ajuda humanitária para Gaza .

No entanto, as fases subsequentes do plano, consideradas as mais complexas, estão paralisadas. Estas incluem :

  • O desarmamento do Hamas e de outros grupos militantes em Gaza.
  • A instalação de um governo transitório de tecnocratas palestinos, sem a participação do Hamas.
  • A criação de uma Força Internacional de Estabilização (ISF) para supervisionar a segurança.
  • A reconstrução em larga escala do território, com um fundo bilionário proposto por países árabes .

Enquanto as acusações de violações se multiplicam e a implementação do plano de paz esbarra em obstáculos, a trégua permanece em vigência, mas sob uma tensão crescente que coloca em risco a frágil estabilidade alcançada e o futuro de qualquer solução duradoura para o conflito.

Com informações de: Opera Mundi - UOL, G1, Al Jazeera, O Globo, CNN Brasil, Agência Brasil, Veja ■

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