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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (9) que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) já acumulou o número de faltas suficientes para ter o mandato cassado. Motta anunciou a antecipação do processo, que tradicionalmente só é analisado em março do ano seguinte, com expectativa de conclusão até a próxima semana .
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, após o avanço de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) que o envolvem, junto com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e aliados, na investigação da trama golpista. O deputado alega ser perseguido pelo Poder Judiciário, especialmente pelo ministro Alexandre de Moraes .
De acordo com os registros oficiais da Câmara, a situação de faltas do parlamentar é a seguinte:
A Constituição Federal, em seu artigo 55, determina a perda do mandato para deputados e senadores que, sem justificação, deixarem de comparecer a um terço ou mais das sessões ordinárias em cada sessão legislativa . Considerando o total de sessões, o limite tolerado seria por volta de 24 faltas, patamar amplamente ultrapassado pelo deputado .
Ao deixar o país, Eduardo Bolsonaro chegou a tirar uma licença do mandato, período no qual as faltas não são contabilizadas. No entanto, esse afastamento expirou em julho, e ele reassumiu automaticamente o cargo, passando a acumular ausências . Desde então, tentou, sem sucesso, exercer o mandato à distância:
Embora o regimento interno da Câmara preveja que a análise das faltas seja feita apenas em março de 2026, Hugo Motta decidiu abreviar o rito . O presidente afirmou que o processo foi publicado e que Eduardo Bolsonaro terá cinco sessões para apresentar sua defesa perante a Mesa Diretora da Casa .
Motta foi taxativo: "Ele cumpriu o número de faltas suficientes para isso. Queremos também, até semana que vem, concluir esse processo" . O presidente adiantou que a Mesa Diretora deverá, ao final do prazo, "apresentar o resultado pela cassação do seu mandato" . Diferente de uma cassação por condenação criminal, a perda de mandato por faltas não torna o parlamentar inelegível .
A bancada do PT tem pressionado por uma ação mais rápida da presidência da Câmara. O líder da bancada, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), protocolou um projeto de resolução para que a verificação de faltas seja contínua e o processo de cassação seja aberto imediatamente ao se atingir o limite constitucional, encerrando o que chama de "tolerância inconstitucional" do prazo atual .
O caso de Eduardo Bolsonaro não é isolado. Hugo Motta mencionou que a Câmara também analisará nesta semana os pedidos de cassação de outros deputados, como Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália, e Glauber Braga (PSOL-RJ). O presidente sinalizou a intenção de "limpar a pauta" desses casos que dividem o plenário e atrapalham votações antes do fim do ano .
Além do excesso de faltas, Eduardo Bolsonaro enfrenta outras situações que podem impactar seu mandato e sua situação jurídica:
Com informações de: G1, O Globo, CNN Brasil, InfoMoney, Correio Braziliense, Brasil de Fato■