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Israel mata Haytham Tabatabai, chefe militar do Hezbollah, em ataque em Beirute
Ação militar no sul da capital libanesa marca uma significativa escalada das tensões e é a primeira em Beirute em cinco meses, mesmo com o cessar-fogo vigente
Oriente-Medio
Foto: https://midias.correiobraziliense.com.br/_midias/jpg/2025/11/23/675x450/1_afp--20251123--84wh9um--v3--highres--lebanonisraelconflicthezbollah-61233836.jpg?20251123153824?20251123153824
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■   Bernardo Cahue, 24/11/2025

As Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmaram neste domingo (23) a morte de Haytham Ali Tabatabai, o chefe de gabinete e principal comandante militar do grupo Hezbollah, em um ataque aéreo preciso no subúrbio de Haret Hreik, ao sul de Beirute. O ataque, que atingiu uma via movimentada e um prédio de apartamentos, matou pelo menos cinco pessoas e deixou mais de 28 feridos, segundo o Ministério da Saúde do Líbano.

Tabatabai, descrito como o segundo em comando do Hezbollah, atrás apenas do secretário-geral Naim Qassem, era considerado a peça central para o rearmamento e a reconstrução das capacidades militares do grupo. Um alto funcionário do Hezbollah, Mahmud Qomati, declarou que o ataque "cruzou uma nova linha vermelha".

Quem era o comandante eliminado

Haytham Ali Tabatabai, também conhecido como Abu Ali Tabatabai, era uma figura veterana e de extrema importância dentro da hierarquia do Hezbollah.

  • Trajetória: Nascido em 1968 em Beirute, filho de uma mãe libanesa e um pai iraniano, juntou-se ao grupo ainda adolescente, nos anos 80 .
  • Carreira Militar: Foi um comandante de longa data, tendo liderado a Força Radwan, unidade de elite do Hezbollah focada em operações contra Israel . Também comandou as operações do grupo na Síria e no Iêmen, solidificando seu papel no chamado "eixo de resistência" iraniano.
  • Sobrevivente de ataques: Em 2015, ele escapou ileso de um ataque israelense no sul da Síria que matou outros membros importantes do Hezbollah .
  • Alvo Internacional: Desde 2016, ele era designado como terrorista global pelos Estados Unidos, que ofereciam uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações sobre ele.
  • Ascensão ao Topo: Sua promoção ao posto de chefe de gabinete, efetivamente o segundo na linha de comando, ocorreu no final de 2024, após uma série de eliminações israelenses que dizimaram a cúpula anterior do grupo.

Contexto e Reações

O ataque ocorre em um momento de tensão crescente, apesar de um cessar-fogo estar em vigor desde novembro de 2024. Israel tem conduzido ataques quase diários no Líbano, alegando impedir que o Hezbollah se rearme e restaure sua capacidade de ameaçar o norte de Israel . O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia declarado antes do ataque que Israel faria "tudo o que fosse necessário" para conter o Hezbollah.

Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun condenou veementemente o ataque, acusando Israel de desrespeitar o acordo de cessar-fogo e pediu à comunidade internacional que intervenha para conter a escalada. A inteligência amerixa afirmou que não foi informada previamente sobre a operação, sendo avisada apenas após sua execução.

Uma fronteira permanentemente tensa

O conflito entre Israel e o Hezbollah tem raízes profundas, com o grupo sendo fundado em 1982 com o apoio da Guarda Revolucionária do Irã para se opor à presença israelense no Líbano . Apesar da retirada de Israel em 2000, o Hezbollah manteve-se como uma potência militar e política no país, muitas vezes descrito como um "Estado dentro de um Estado". A eliminação de um de seus líderes mais importantes em plena capital libanesa representa não apenas uma vitória tática para Israel, mas também um risco calculado de uma retaliação severa, ameaçando reacender um conflito aberto em múltiplas frentes.

Com informações de: BBC, CNN Brasil, DW, G1, Livemint, NDTV, Observador, Syria Direct ■

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