Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Reino Unido suspende compartilhamento de inteligência com EUA sobre embarcações no Caribe
Medida representa uma ruptura significativa entre os aliados e ocorre devido a preocupações de que informações britânicas estejam sendo usadas em ataques militares considerados ilegais
Europa
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSPJW8DxOGtgmjpx2O1HF-NZeJMo5Ht1i-QmQ&s
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 13/11/2025

O Reino Unido decidiu suspender o compartilhamento de informações de inteligência com os Estados Unidos sobre embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe. A decisão, que começou há mais de um mês, foi tomada porque o governo britânico não quer ser cúmplice de ataques militares que acredita violarem o direito internacional, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto .

Mudança de Paradigma: Da Apreensão aos Ataques Letais

Durante anos, a parceria entre os dois países no Caribe funcionava sob um modelo de aplicação da lei:

  • O Reino Unido, que controla territórios na região onde mantém recursos de inteligência, ajudava os EUA a localizar navios suspeitos .
  • As informações eram repassadas para a Força-Tarefa Interagências Conjunta Sul (JIATF South), no Florida, que coordenava a interceptação pela Guarda Costeira dos EUA .
  • O procedimento padrão envolvia parar a embarcação, prender a tripulação e apreender a droga, tratando os suspeitos como criminosos com direito ao devido processo legal .

No entanto, a partir de setembro, a estratégia dos EUA mudou radicalmente. O governo Trump iniciou uma campanha de ataques letais com mísseis contra as embarcações. Até o momento, essas operações resultaram em pelo menos 76 mortes em cerca de 19 ataques, segundo os relatos .

O Coração da Controvérsia: A Legalidade dos Ataques

A justificativa legal apresentada pela administração norte-americana é baseada em um memorando enviado ao Congresso, que argumenta:

  • Os suspeitos de tráfico são uma "ameaça iminente" aos americanos.
  • Eles são considerados "combatentes inimigos" em um "conflito armado" contra os EUA.
  • O ex-presidente Donald Trump designou vários cartéis de droga como "organizações terroristas estrangeiras" .

Entretanto, essas justificativas enfrentam forte oposição e ceticismo:

  • Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk: Classificou os ataques como inaceitáveis e os considerou "execuções extrajudiciais", uma avaliação com a qual o Reino Unido concorda .
  • Especialistas Jurídicos: Argumentam que a Lei dos Conflitos Armados ainda se aplicaria a traficantes civis, e que a designação como grupo terrorista não autoriza automaticamente o uso de força letal .
  • Ceticismo Interno: O próprio comandante do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), almirante Alvin Holsey, ofereceu sua renúncia após questionar a legalidade dos ataques em uma reunião tensa .

Repercussão Internacional e Isolamento dos EUA

A decisão do Reino Unido não é um ato isolado e reflete um mal-estar mais amplo entre os aliados tradicionais dos EUA:

  • Canadá: Também se distanciou publicamente dos ataques militares. Um porta-voz de defesa do país enfatizou que suas operações de interceptação com a Guarda Costeira dos EUA são "separadas e distintas" dos ataques letais .
  • Colômbia: O presidente Gustavo Petro anunciou que ordenou a suspensão do compartilhamento de inteligência com as agências de segurança dos EUA até que os ataques no Caribe cessem .

Enquanto isso, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, continua a anunciar publicamente novos ataques, descrevendo os alvos como "narco-terroristas" e afirmando que as ações são necessárias para proteger o território norte-americano .

Com informações de: CNN, Sky News, KFOXTV, R7, Mais Goias, CNN Portugal ■

Mais Notícias