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Lula defende comércio justo na Indonésia antes de encontro com Trump
Presidente brasileiro reforçou a importância do diálogo e do multilateralismo durante visita de Estado; encontro com o presidente dos EUA está previsto para domingo na Malásia
Politica
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■   Bernardo Cahue, 24/10/2025

Em um discurso que antecipou os temas de uma reunião internacional de grande expectativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente o comércio justo entre as nações e criticou o protecionismo durante visita de Estado à Indonésia, nesta quinta-feira (23). As declarações ocorrem às vésperas de um encontro com seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado por expectativas de diálogo sobre relações comerciais entre os dois países.

Ao lado do presidente indonésio, Prabowo Subianto, Lula não apenas atacou as barreiras comerciais, como também propôs a possibilidade de comércio bilateral com as moedas nacionais dos dois países, em vez do dólar. "Nós queremos o comércio livre e, mais ainda, tanto a Indonésia quanto o Brasil têm interesse em discutir a possibilidade de a comercialização entre nós dois ser com as nossas moedas. Essa é uma coisa que nós precisamos mudar", declarou o presidente brasileiro.

Lula foi ainda mais direto em sua crítica ao modelo econômico que Trump vem adotando: "Nós queremos multilateralismo e não unilateralismo. Nós queremos democracia comercial e não protecionismo. Nós queremos crescer, gerar empregos". A fala é vista como uma referência clara ao "tarifaço" promovido pelo governo americano, que afetou produtos brasileiros com taxas de 50%.

Acordos Bilaterais e a Cena Internacional

A passagem de Lula pela Indonésia não se resumiu a discursos. Os governos dos dois países firmaram uma série de acordos comerciais com o objetivo de incrementar a relação bilateral, que já movimentou US$ 7,15 bilhões em 2024, com um superávit de cerca de US$ 3,7 bilhões para o Brasil. Os tratados abrangem áreas como:

  • Energia
  • Mineração
  • Agricultura
  • Tecnologia
  • Cooperação militar

Em sua capacidade de atual titular do Mercosul, Lula informou que acordou com Prabowo avançar nas negociações para um acordo preferencial entre o bloco sul-americano e a Indonésia antes de dezembro. O presidente indonésio, por sua vez, ressaltou a condição estratégica de ambas as nações como membros do grupo de economias emergentes BRICS e como "potências do Sul Global".

O Encontro Diplomático com Trump

O momento mais aguardado da viagem de Lula pela Ásia está programado para o domingo (26), em Kuala Lumpur, Malásia. Às margens da Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), os presidentes Lula e Trump devem se encontrar. Fontes de ambos os governos confirmaram que há disposição mútua para a reunião, que depende apenas do acerto final das agendas.

Lula já adiantou sua posição para o encontro. Na sexta-feira (24), ele afirmou ter "todo o interesse" na reunião e que está "totalmente preparado para defender os interesses do Brasil e demonstrar que houve um erro nas tarifas impostas ao Brasil". O presidente brasileiro contestou a justificativa americana para as tarifas, argumentando que os Estados Unidos têm um superávit comercial de 410 bilhões de dólares com o Brasil em 15 anos.

Além das questões comerciais, a pauta do encontro deve ser ampla. Lula afirmou que todos os temas estarão em discussão e que os líderes podem conversar desde os conflitos em Gaza e Ucrânia até questões sobre Venezuela, minerais críticos e os recentes ataques dos EUA a embarcações que Washington classifica como "narcoterroristas".

O Contexto Mais Amplo do Protecionismo Americano

As críticas de Lula e os esforços diplomáticos do Brasil ocorrem em um cenário internacional de ascensão do protecionismo comercial liderado pelos EUA. A política "America First" de Trump já fez com que o país anunciasse tarifas retaliativas contra dezenas de nações. A Indonésia, por exemplo, conseguiu negociar um acordo com os EUA em julho que estabeleceu uma tarifa recíproca de 19%, evitando uma alíquota inicialmente ameaçada de 32%.

Projetos como o "Project 2025", um manual de políticas apoiado por think tanks conservadores americanos, sinalizam um aprofundamento dessa postura, com propostas que descréditam organizações multilaterais e privilegiam o unilateralismo. Essa onda protecionista tem acelerado a busca de outros países por novos acordos. Pouco antes da visita de Lula, a Indonésia e a União Europeia firmaram seu próprio acordo de livre-comércio, um movimento que analistas associam diretamente à "urgência" criada pela guerra comercial de Trump.

Enquanto se prepara para o diálogo diplomático, Lula deixa clara sua aposta em uma nova geografia econômica. "O século 21 exige que tenhamos coragem que não tivemos no século 20", disse o presidente, defendendo que as nações mudem suas formas de agir comercialmente "para não ficarmos dependentes de ninguém".

Com informações de VEJA, Infobae, The Conversation, UOL, G1, DW, Folha de S.Paulo, Indonesia Investments e White House.gov ■

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