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Portugal vive um novo ciclo de protestos sindicais que ecoam os grandes movimentos de contestação à austeridade da última década. Milhares de trabalhadores foram às ruas no Porto e em Lisboa em setembro de 2025 para rejeitar o pacote de reforma laboral proposto pelo governo de Luís Montenegro, num cenário que lembra as manifestações massivas contra os cortes orçamentários durante a crise financeira europeia.
Os recentes protestos, convocados pela CGTP - a maior central sindical do país - sob o lema "Mais Salários e direitos – Outro rumo é possível!", reuniram manifestantes de diversos distritos portugueses. Eles carregavam cartazes com palavras de ordem como "35 horas para todos", "não ao pacote laboral" e "contra a política de direita e exploração".
O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, classificou a manifestação como um "grande momento de luta" e afirmou que "os trabalhadores estão fartos de estarem sempre sujeitos a um conjunto de circunstâncias que lhes penalizam a vida". O pacote laboral em discussão, denominado "Trabalho XXI", prevê mais de 100 alterações ao Código do Trabalho.
As atuais manifestações não são um fenómeno isolado. Em 2012, Portugal assistiu a protestos massivos contra as medidas de austeridade implementadas durante o resgate financeiro. Naquele ano, cerca de 300 mil manifestantes according to dados sindicais, contestaram cortes como a eliminação do décimo terceiro e décimo quarto salários para funcionários públicos e pensionistas, aumentos nos preços de transportes públicos e redução do seguro-desemprego.
Naquele período, o governo foi forçado a recuar em algumas medidas, como o aumento da Taxa Social Única de 11% para 18% após fortes protestos. A contestação também se manifestou de formas criativas, como a vigília de sindicalistas acampados durante quatro dias frente à Assembleia da República.
A reforma laboral ocorre num contexto político sensível, com eleições autárquicas marcadas para outubro de 2025 e presidenciais para 2026. Especialistas sugerem que o período eleitoral pode influenciar tanto a estratégia do governo quanto a mobilização sindical.
Além da CGTP, a UGT - outra central sindical histórica - também manifestou fortes reservas às propostas. Carlos Silva, ex-secretário-geral da UGT, afirmou que a reforma "não é desejável no país, nem pelas empresas, nem pelos trabalhadores". A central não descarta a possibilidade de uma greve geral, em conjunto ou não com a CGTP.
O governo, por meio da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, mantém que está aberto a negociar, mas alertou que não vai "comprar" a paz social a qualquer custo.
A CGTP já anunciou que vai reunir o seu Conselho Nacional para decidir os próximos passos da luta, prometendo "todas as formas de luta necessárias" para derrotar o pacote laboral. O desfecho deste conflito pode definir não apenas o futuro das relações laborais em Portugal, mas também o equilíbrio político do país num ciclo eleitoral crucial.
Com informações de: BBC, Observador, Diário de Notícias, Público, Notícias ao Minuto, RTP, Deutsche Welle, CGTP, ECO Sapo. ■