Primeira fase do plano prevê cessar-fogo, retirada de tropas e libertação de reféns; comunidade internacional reage com alívio e esperança
Em um anúncio conjunto na noite de quarta-feira (08/10), Israel e o grupo Hamas confirmaram a aceitação da primeira fase de um acordo de paz para a Faixa de Gaza, mediado pelos Estados Unidos. O plano, que surge dois anos após o início de um conflito devastador, foi celebrado nas ruas de Gaza e em Israel por famílias que aguardam a libertação de seus entes queridos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, foi o primeiro a anunciar o feito em suas redes sociais, classificando-o como os "primeiros passos rumo a uma paz forte, duradoura e eterna". O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamou a data de "um grande dia para Israel", enquanto o Hamas emitiu comunicado confirmando que o pacto "encerra a guerra em Gaza".
O que Foi Acordado
O cerne do acordo nesta fase inicial envolve um cessar-fogo e uma troca de prisioneiros. Confira os principais pontos acertados:
- Libertação dos Reféns: O Hamas deve libertar os 48 reféns que ainda mantém em Gaza, dos quais se acredita que 20 estejam vivos. Eles serão trocados pela libertação de cerca de 1.950 prisioneiros palestinos das cadeias israelenses, incluindo 250 condenados à prisão perpétua.
- Retirada de Tropas: As Forças de Defesa de Israel (IDF) se comprometeram a se retirar para linhas previamente acordadas dentro do território de Gaza. A GloboNews apurou que, em um primeiro momento, a área de ocupação será reduzida de 75% para 57% do território.
- Ajuda Humanitária: O acordo permite um aumento significativo da entrada de ajuda humanitária no enclave, que enfrenta uma crise catastrófica.
Os Próximos Passos
O cronograma para a implementação do acordo é claro e deve avançar rapidamente após a formalização:
- O governo de Israel se reúne nesta quinta-feira (09/10) para uma votação formal do acordo.
- Após a aprovação, as tropas israelenses iniciam sua retirada para as novas linhas em até 24 horas.
- Com a retirada, inicia-se uma contagem de 72 horas para que o Hamas liberte todos os reféns. A expectativa é que os reféns vivos retornem para casa até a segunda-feira (13/10).
Pontos que Ainda Permanecem em Aberto
Apesar do avanço, este é apenas o primeiro estágio de um plano mais amplo, e questões críticas para uma paz duradoura ainda precisam ser resolvidas:
- Desarmamento do Hamas: O grupo já afirmou que só entregará suas armas quando for criado um Estado palestino, uma exigência central do plano de Trump que ainda não foi cumprida.
- Futuro Governo de Gaza: Não há consenso sobre quem administrará Gaza. O plano dos EUa prevê um governo temporário "tecnocrata e apolítico", mas o Hamas espera ter algum papel, e Netanyahu já sinalizou resistência à participação da Autoridade Palestina.
- Lista de Prisioneiros: A lista final dos prisioneiros palestinos que serão libertados, que pode incluir nomes proeminentes, ainda não foi finalizada, segundo fontes ouvidas pela BBC.
Reação Internacional de Alívio
A notícia do acordo foi recebida com amplo apoio e alívio pela comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que todas as partes cumpram integralmente os termos e declarou que "o sofrimento precisa acabar". Líderes de Reino Unido, França, Alemanha e da União Europeia saudaram o acordo como um passo crucial e necessário em direção à paz.
Com informações de BBC News, Veja, G1, UN News, DW, Agência Brasil, Público e UOL. ■