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Zonas seguras em Gaza são alvo de ataques israelenses em meio a negociações de paz no Cairo
Enquanto negociadores se reúnem no Egito, bombardeios continuam em áreas designadas como seguras, e ofensiva em Gaza City intensifica crise humanitária
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 05/10/2025

Enquanto negociadores convergem para o Cairo neste domingo (5 de outubro) para tentar encerrar quase dois anos de guerra em Gaza, ataques israelenses continuam a atingir áreas designadas como "zonas seguras" no território palestino. Os bombardeios resultaram na morte de pelo menos 70 palestinos nas últimas 24 horas.

A ofensiva israelense em Gaza City, que forçou centenas de milhares de residentes a fugirem para o sul superlotado, permanece particularmente letal. Somente no sábado (4 de outubro), 45 das vítimas mortais foram na cidade, incluindo 18 pessoas em um ataque a uma residência no bairro de Tuffah. Um ataque com drone a um acampamento de deslocados em al-Mawasi, uma área no sul de Gaza repetidamente designada como "zona humanitária segura" pelo exército israelense, matou duas crianças e feriu outras oito.

Dados do Escritório de Mídia do Governo de Gaza indicam que 46% de todas as mortes relatadas no enclave desde 11 de agosto ocorreram em ataques às áreas centrais e sul de Gaza, para onde a população foi instruída a se evacuar. O chefe da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, condenou a retórica israelense que classifica todos que permanecem em Gaza City como "terroristas ou apoiadores do terror", alertando que isso sinaliza "massacres em grande escala planejados".

Contexto das Negociações

Os movimentos diplomáticos no Cairo ocorrem após o grupo militante palestino Hamas ter respondido positivamente ao roteiro do presidente dos EUA, Donald Trump, para liberar os reféns e administrar Gaza no pós-guerra. Trump enviou dois enviados, Jared Kushner e Steve Witkoff, ao Egito e advertiu que "não toleraria atrasos" do Hamas.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou esperança de que os reféns ainda mantidos em Gaza possam ser libertados "em questão de dias", durante o feriado judaico de Sucot. No entanto, ele reiterou que o Hamas "será desarmado... diplomaticamente via plano de Trump ou militarmente por nós".

O plano de Trump, conforme detalhado nas fontes, estipula que o Hamas e outras facções "não tenham qualquer papel na governança de Gaza", exigindo também a libertação de todos os reféns dentro de 72 horas, uma retirada gradual israelense e o desarmamento do Hamas. A administração do território seria assumida por um corpo tecnocrático supervisionado por uma autoridade transitória pós-guerra.

Cenário Humanitário e Reações

O sistema de saúde em Gaza está à beira do colapso. A maioria dos hospitais opera em condições horríveis, incapaz de fornecer até mesmo suprimentos médicos básicos. Os poucos hospitais que ainda funcionam parcialmente no centro de Gaza ficaram sobrecarregados com o fluxo de feridos e doentes que fogem dos bombardeios no norte.

Em meio à crise, civis em Gaza expressaram um misto de esperança e ceticismo. "A melhor coisa é que o próprio presidente Trump anunciou um cessar-fogo, e Netanyahu não será capaz de escapar desta vez... [Trump] é o único que pode forçar Israel a cumprir e parar a guerra", disse Sami Adas, de 50 anos, que vive em uma tenda em Gaza City com sua família.

O conflito, que começou com o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, resultou na morte de 1.219 pessoas em Israel, de acordo com contagem da AFP sobre números oficiais israelenses. A ofensiva retaliatória de Israel já matou pelo menos 67.074 palestinos em Gaza, de acordo com dados do Ministério da Saúde no território administrado pelo Hamas, considerados confiáveis pelas Nações Unidas.

Com informações de: Al Jazeera, Al-Monitor, Reuters, RTE. ■

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