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O anúncio de um acordo de cessar-fogo para a Faixa de Gaza, mediado pelos Estados Unidos, despertou uma onda de sentimentos contraditórios entre os palestinos. Enquanto muitos celebram com alegria e alívio a possibilidade de o fim da guerra, outros encaram o momento com tristeza pelo luto de entes queridos e ceticismo após longos meses de sofrimento e destruição.
"Finalmente, vou colocar minha cabeça no travesseiro sem me preocupar", comemora Sanabel, de 17 anos, que está na Cidade de Gaza. "Conseguimos o que queríamos! Todos nós estamos felizes agora!". Já Dima Shurrab, de 19 anos, expressa a desconfiança que se mistura ao alívio: "Eu me sinto ótima, nunca estive tão feliz. Não consigo acreditar no que está acontecendo ao meu redor agora. Estou sonhando? Aqui em Gaza, estamos felizes, mas temos medo. O medo desaparecerá quando o acordo entrar em vigor".
Para muitos, a esperança renasce com a perspectiva de retornar à normalidade. Farida, uma professora deslocada, descreve um "estado de antecipação" e diz que eles tentam "respirar a liberdade que nos foi negada". Hashim Adel Abu Eiala, que vive em uma tenda há 15 meses, vive o que chama de "o melhor sentimento do mundo" e planeja "ajoelhar-se, para agradecer a Deus" quando finalmente puder voltar para casa.
Contudo, a felicidade não apaga a dor das perdas. Reem, uma mãe deslocada que perdeu sua casa, resume o sentimento de muitos: "Meu sentimento agora oscila entre alegria e tristeza". Essa oscilação é a realidade para uma população que, mesmo diante da esperança, precisa lidar com a lembrança dos mais de 66 mil palestinos mortos desde o início do conflito, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
O ceticismo também é uma presença forte, alimentado pela desconfiança após dois anos de guerra. Em Khan Younis, Mahmoud Rostom relatou que as pessoas estão "cheias de esperança", mas ainda é possível ouvir bombas. Já Muhammad Saadat, um vendedor de falafel deslocado, não se convence: "Este é um boato vazio e falso. Os reféns israelenses voltarão para casa. O acordo entrará em colapso e a guerra voltará como antes".
Com informações de: BBC News, CNN, Agência Brasil, Poder360, PBS NewsHour, The Guardian. ■