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Lula e Trump: realidades opostas na Assembleia da ONU
Enquanto presidente brasileiro chega fortalecido por protestos populares e agenda climática, líder norte-americano enfrenta crise interna, violência política e recessão econômica
Politica
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■   Bernardo Cahue, 21/09/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participam esta semana da 80ª Assembleia Geral da ONU em Nova York em momentos políticos radicalmente distintos. Enquanto Lula desembarca com apoio popular crescente e uma agenda de defesa da democracia e multilateralismo, Trump enfrenta uma crise doméstica multifacetada, agravada pelo assassinato do influenciador conservador Charlie Kirk, estagnação econômica e protestos contra suas políticas immigrationistas.

O contexto norte-americano: luto, recessão e polarização

Trump chega à ONU em um dos momentos mais delicados de seu mandato, com a sociedade americana profundamente dividida após o assassinato de Charlie Kirk, figura emblemática da direita conservadora. O crime, cometido por um atirador durante evento em campus universitário em Utah, gerou temores de uma nova era de violência política nos EUA, com especialistas comparando o atual momento à turbulência dos anos 1960.

O clima de tensão é agravado por:

  • Crise econômica: O Federal Reserve (Fed) cortou juros em 0,25% ante a estagnação, aumento do desemprego (4,3%) e inflação de 2,9% - atribuídos em parte às tarifas comerciais de Trump e políticas anti-imigração.
  • Deportações em massa: Cerca de 1,6 milhão de imigrantes foram deportados nos primeiros 200 dias de governo, com fechamento de fronteiras e restrições a vistos humanitários.
  • Guerra cultural: O assassinato de Kirk desencadeou um debate sobre liberdade de expressão, com o governo ameaçando regulamentar discursos de ódio e conservadores alertando para riscos à Primeira Emenda.

O contexto brasileiro: força popular e defesa institucional

Em contraste direto, Lula chega à ONU fortalecido por manifestações maciças em todo o Brasil. Neste domingo (21/09), aproximadamente 1,3 milhão de pessoas foram às ruas em mais de 30 cidades para protestar contra a anistia a envolvidos em tentativas de golpe e contra a chamada "PEC da Blindagem" (apelidada de "PEC da Bandidagem" por opositores), que dificultaria a responsabilização criminal de parlamentares.

Os protestos, que contaram com apoio de artistas, movimentos sociais e lideranças petistas, demonstraram:

  • Forte rejeição popular às tentativas de anistia para crimes contra a democracia;
  • Apoio à atuação do STF no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro;
  • Respaldo político para a posição de Lula contra interferências internacionais na soberania brasileira.

O cenário na ONU: discursos em tempos distintos

Na Assembleia Geral, Lula fará o discurso de abertura na terça-feira (23/09), seguido por Trump. Espera-se que o presidente brasileiro:

  • Defenda multilateralismo, soberania e democracia (em clara referência às tensões com os EUA);
  • Reforce a independência do Judiciário brasileiro frente a pressões externas;
  • Apresente as prioridades para a COP30, que será realizada em Belém em 2025.

Trump, por sua vez, deve enfrentar questionamentos sobre:

  • Seu enfraquecimento doméstico perante a crise econômica e política;
  • As medidas unilaterais contra Brasil e outros países;
  • Seu alinhamento com setores extremistas.

Não está previsto um encontro formal entre os dois líderes, reflexo da pior fase nas relações bilaterais em décadas. As restrições impostas a membros da comitiva brasileira - como o ministro da Saúde Alexandre Padilha, que cancelou a viagem após ter seu visto limitado a um perímetro de 5km na cidade - ilustram a gravidade do momento.

Enquanto Trump tenta conter uma crise que mistura luto político, recessão e polarização, Lula exibe força popular e estabilidade institucional. Dois modelos em confronto na principal tribuna global.

Com informações de: G1, BBC, Terra, UOL, Poder360, CNN Brasil, Swissinfo, Hora do Povo. ■

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