Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Tripla tragédia: novo vídeo revela terceiro míssil em ataque israelense a hospital de Gaza
Estratégia militar de "double-tap" é exposta como tripla, com dois mísseis simultâneos no segundo ataque, elevando para três o total de explosões em menos de 40 minutos. Barbárie e censura deliberada marcam o conflito
Oriente-Medio
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRGLvsLnp34RLb8HigDNlciTPqidHveaHBBZx4xqiQB3e7P-9Yt9B6USB8_&s=10
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 27/08/2025

Um novo vídeo obtido pela CNN revela que o ataque israelense ao hospital Nasser em Khan Younis, Gaza, na última segunda-feira (25/08/2025), foi mais complexo e letal do que se imaginava. Inicialmente descrito como um "double-tap" — tática que envolve um segundo ataque para atingir socorristas —, o episódio na realidade envolveu três mísseis, com o segundo ataque sendo composto por duas explosões quase simultâneas que causaram a maioria das baixas.

O primeiro míssil atingiu a escada externa do hospital por volta das 10h08 (horário local), matando imediatamente o cinegrafista da Reuters, Hussam Al-Masri, e interrompendo sua transmissão ao vivo. Cerca de nove minutos depois, enquanto equipes de resgate, profissionais de saúde e jornalistas corriam para prestar socorro, dois mísseis disparados quase ao mesmo tempo atingiram o local exacto da primeira explosão, causando dezenas de mortes e feridos.

Especialistas em armamentos analisaram as imagens e concluíram que os mísseis usados provavelmente foram disparados por tanques israelenses, possivelmente o modelo M339. A precisão e a simultaneidade das explosões sugerem um ataque coordenado e intencional, e não um "alvo de oportunidade" como por vezes alegado.

O massacre de profissionais protegidos: Entre os 22 mortos no ataque estavam:

  • 5 jornalistas, incluindo profissionais que trabalhavam para Reuters, Associated Press e Al Jazeera;
  • Trabalhadores de saúde e equipes de resposta de emergência;
  • Pacientes e civis que estavam no hospital.

Este incidente não é isolado. Representa a continuação de uma barbárie sistemática perpetrada pelo exército israelense em Gaza, que inclui:

  • Uso rotineiro de "double-tap": Investigação das revistas israelenses +972 e Local Call revelou que Israel emprega esta tática constantemente em Gaza, sabendo que condena à morte os feridos e seus socorristas;
  • Destruição de infraestrutura médica: 33 dos 36 hospitais de Gaza foram danificados, sendo o Nasser o último ainda em funcionamento no sul do território;
  • Alta proporção de vítimas civis: Um relatório vazado do próprio governo israelense indica que 83% das pessoas mortas na guerra são civis.

O silenciamento da imprensa como política de guerra: O ataque ao hospital Nasser também evidencia os esforços contínuos de Israel para calar qualquer testemunho do que ocorre em Gaza:

  • Jornalistas como alvos: Com este último episódio, sobem para pelo menos 247 o número de jornalistas palestinos mortos em 22 meses de conflito, no que se tornou o conflito mais letal da história para profissionais de imprensa;
  • Impedimento de cobertura internacional: Israel proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza, tornando os repórteres locais as únicas fontes de informação no território — e os únicos que podem testemunhar o que Israel classifica como "holocausto";
  • Censura interna: Dentro de Israel, jornalistas que criticam o governo ou mostram solidariedade às vítimas palestinas enfrentam intimidação, ataques e repressão legal.

As reacções internacionais foram de forte condenação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou os assassinatos como "horrorosos", enquanto o primeiro-ministro britânico Keir Starmer os considerou "completamente indefensáveis". A França, através do presidente Emmanuel Macron, chamou os ataques de "intoleráveis".

Em contrapartida, o governo israelense divulgou versões contraditórias. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou o incidente como um "trágico acidente". Já o exército israelense primeiramente alegou que o alvo era uma "câmera posicionada pelo Hamas" no hospital e depois afirmou que seis dos mortos eram "terroristas", alegação prontamente desmentida pelo Hamas e por autoridades de saúde de Gaza.

Este episódio é um marco sombrio em um conflito que já matou mais de 62.000 palestinos, mas também um testemunho da coragem dos jornalistas palestinos que, sob fogo constante, continuam a relatar ao mundo a extensão da devastação. Suas vozes, e as das vítimas que documentam, não podem ser silenciadas.

Com informações de: CNN, BBC, The Conversation, Wikipedia, The Guardian, Al Jazeera, +972 Magazine. ■

Mais Notícias