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O conselho de Lula que fez Trump sorrir
Entre a foto de fã com ídolo, o sorriso forçado do republicano e um ato falho que entregou um reencontro involuntário com o presidente petista, a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca foi um passo (de comédia) para a pré-campanha e dois para a vergonha
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Foto: img/20260526.png
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■   Bernardo Cahue, 27/05/2026

Flávio Bolsonaro, o senador e pré-candidato do PL à Presidência, conseguiu, enfim, o que queria: uma foto com Donald Trump no Salão Oval. Não importa que o encontro não constasse da agenda oficial da Casa Branca, que o republicano não tenha se levantado da cadeira para recebê-lo, e que a pose parecesse mais um episódio de "Tirando foto com o ídolo" do que uma audiência de Estado. O que vale é a imagem, não é?

O problema é que a imagem, neste caso, fala mais do que mil palavras. E as palavras, sobretudo as ditas por Flávio Bolsonaro na coletiva após o encontro, foram de uma ironia tão refinada que só podem ter sido roteirizadas por um humorista de plantão.

"Foi um convite oficial a pedido do presidente Lula", disparou o senador, para em seguida se corrigir, já percebendo o tamanho do mico: "...do presidente Trump, desculpa." O ato falho foi tão clássico que merecia uma estátua ao lado do Oscar de Melhor Comédia. O homem que passou a semana inteira atacando o petista, chamando-o de "antiamericano" e "rastejante", agora diz, sem querer, que seu convite para o Salão Oval foi articulado por quem? Pelo próprio Lula.

Ao longo de toda a campanha, Flávio e seus aliados tentaram construir uma narrativa de que a visita de Lula a Trump, há três semanas, havia sido um fracasso. Que o petista não conseguira nada, além de um tapete vermelho e um "I love you" do anfitrião. Agora, com sua própria foto ao lado de Trump, Flávio tentou capitalizar o feito como um sinal de prestígio internacional, uma alternativa ao "governo que rasteja".

Mas a foto que ele tanto comemorou mostra exatamente o contrário. Trump está sentado, com um sorriso forçado – aquele sorriso que, segundo o próprio Lula, ele teria aprendido a dar após o conselho do brasileiro. Sim, o mesmo Lula que, em maio, durante sua visita à Casa Branca, disse ter aconselhado o republicano a relaxar a cara: "Vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia. E eu fiz questão de dizer para ele: ria, um pouco é importante, alivia a nossa alma se a gente rir um pouco."

Flávio posou ao lado de um Trump sorridente, mas aquele sorriso, ironicamente, foi uma herança direta do presidente que ele mais critica. A ironia não para por aí. O encontro de Flávio com Trump, que ele tanto alardeou como uma vitória pessoal, foi classificado por analistas e pela imprensa como "pior a foto que o soneto". Enquanto Lula foi recebido no Salão Oval com pompas e um encontro que durou quase três horas, Flávio, segundo relatos, conseguiu apenas um "encaixe" de poucos minutos, tempo apenas para entregar alguns documentos e posar para a foto.

A comitiva de Flávio, claro, comemorou o feito. Afinal, uma foto de fã com ídolo é sempre motivo de festa. Mas a impressão que fica é a de um menino que, ao posar ao lado do herói, descobriu que o herói sorria porque a professora mandou.

E o herói, no caso, é Donald Trump. O professor, Luiz Inácio Lula da Silva. E o aluno, Flávio Bolsonaro, que, ao tentar se igualar ao mestre, acabou mostrando que ainda precisa de muitas aulas de diplomacia. E de oratória.

Com informações de: G1, BBC News Brasil, Folha de S.Paulo, UOL, CNN Brasil, Revista Fórum, Poder360, O Globo, Jovem Pan, Valor Econômico, The Intercept Brasil, Band, Bnews, Jornal de Brasília, O Tempo, TSF, Diário Carioca, IG, Antropofagista, WSWS, Money Report, Recanto das Letras, Esmael Morais, O Cafezinho, A Tarde, Brasil Paralelo, Gazeta do Povo, O Público, DW Brasil, ICL Notícias, Aos Fatos, Metrópoles, Diário de Pernambuco, InfoMoney, DN, El País, Bloomberg, Investing.com, Daily Beast, Guatemala Herald, Omossoroense, Revista Fórum, Jornal de Brasília, Tribuna do Norte e CBN ■

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