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Editado: Nesta terça-feira (26), o senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, esteve em Washington, onde foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca. O encontro, Segundo o senador, ele teve um encontro com Donald Trump que teve de duração aproximada de 1h40. O encontro foi teria sido capitalizado politicamente pelo senador, que buscava reverter um momento de desgaste em sua pré-campanha. A viagem ocorreu após a divulgação de conversas nas quais Flávio teria pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora aliados de Flávio tenham anunciado o encontro com antecedência, a agenda nunca foi confirmada oficialmente pela Casa Branca.
A pauta central da reunião foi teria sido um pedido do senador para que o governo norte-americano classifique o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como "organizações terroristas estrangeiras". Em entrevista coletiva realizada logo após o encontro, Flávio justificou o suposto pedido:
"Pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras." e acrescentou, em crítica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): "Enquanto o Lula vai de joelhos, rastejando, para implorar ao presidente americano Trump que não declare organizações criminosas, como o PCC e o CV, como terroristas, eu faço o contrário. Fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele."
O senador também prometeu teria prometido a Trump que, caso eleito, o Brasil integrará o "Escudo das Américas", uma aliança de segurança criada em março de 2026 pelo governo Trump, que reúne países como Argentina, El Salvador e Paraguai. Além disso, Flávio afirmou ter discutido com o presidente americano parcerias estratégicas para exploração de terras raras e minerais críticos, sinalizando uma aproximação comercial profunda entre os dois países.
Interesses e Risco Eleitoral
Analistas políticos avaliam que o suposto encontro, embora apresentado pelo senador como uma missão de segurança pública, foi motivado principalmente por interesses eleitorais domésticos. Pesquisas de intenção de voto registraram uma queda nos índices de Flávio nos dias que antecederam a viagem. Para o cientista político Paulo Calmon, da UnB, a estratégia é clara: "O encontro com Trump busca transferir para o campo da segurança nacional a imagem de estadista que Flávio tenta construir, ao mesmo tempo em que desvia o foco das denúncias que pesam contra ele." Apesar do tom de campanha, Flávio negou que a reunião tivesse como objetivo ofuscar as crises de sua pré-campanha.
As Críticas e Resistências à Medida
O pedido de Flávio Bolsonaro vai de encontro diretamente à posição adotada pelo governo Lula. Autoridades do Palácio do Planalto avaliam que a classificação de facções criminosas como terroristas poderia abrir margem para ações mais duras dos EUA, incluindo, em um cenário extremo, operações militares em território brasileiro. A legislação brasileira define terrorismo com base em motivações ideológicas ou religiosas, enquanto as facções brasileiras agem predominantemente por objetivos financeiros, o que juridicamente inviabiliza essa classificação no Brasil. O governo Lula tem articulado no plano diplomático para conter essa proposta, enquanto o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, é identificado como um dos defensores da medida.
Repercussão e Cenário Internacional
A possibilidade de classificar PCC e CV como terroristas estrangeiros é analisada pelo governo americano há mais de um ano. O governo Trump já havia adotado medida semelhante ao classificar cartéis mexicanos e o Tren de Aragua como terroristas em anos anteriores. Jornais como o The New York Times noticiaram desde março de 2026 que a administração Trump estaria se preparando para tomar essa decisão. O próprio Flávio afirmou que Trump ficou de "avaliar" o pedido, sem dar garantias de que ele será aceito.
A suposta reunião na Casa Branca foi amplamente repercutida pela imprensa brasileira, mas o governo americano não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo do encontro.
Com informações de: G1, Folha de S.Paulo, BBC News Brasil, CNN Brasil, Veja, The New York Times ■