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Foi-se o tempo em que a narrativa da direita de que o Partido dos Trabalhadores (PT) seria o grande algoz da CPMI do Banco Master se sustentava. Nos últimos dias, uma série de eventos, ações judiciais e manifestações públicas vieram a público e revelaram exatamente o contrário: enquanto a base governista, liderada por Lindbergh Farias e Pedro Uczai, engrossa o coro pela investigação célere do escândalo bilionário do banco liquidado pelo Banco Central, são justamente as alas do centrão, capitaneadas pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e setores da oposição que articulam nos bastidores para enterrar o colegiado.
A peça central que desmonta o argumento da oposição está na ação direta do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que impetrou um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para forçar a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. A ação judicial acusa Alcolumbre de omissão e de transformar a criação da CPMI em moeda de troca política. “A omissão possui efeito jurídico concreto. A CPMI, embora constitucionalmente requerida, permanece artificialmente paralisada por decisão negativa informal, silenciosa e abusiva”, afirmou Lindbergh em sua petição, que mira também as conversas vazadas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Para além da ofensiva jurídica, o partido também atua no front político. Durante a sessão do Congresso no dia 21 de maio, o líder da bancada na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), apresentou uma questão de ordem formal cobrando de Alcolumbre a leitura imediata do requerimento de criação da CPMI. “Não cabe à Presidência do Congresso Nacional um juízo de conveniência ou oportunidade, mas sim o dever de formalizar a criação da CPMI”, disparou Uczai, sustentado pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que autorizou o partido a “ir para cima” do caso.
O ápice da contradição entre o discurso da direita e os fatos veio à tona quando o próprio presidente nacional do PT, Edinho Silva, admitiu publicamente que o partido errou ao não subscrever os pedidos iniciais de CPI feitos pela oposição. “O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu. É evidente que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a formação das comissões de investigação”, disse Edinho em entrevista. A afirmação funciona como um cheque-mate à tese de que o partido seria o guardião do silêncio no caso Master.
Do lado oposto, quem trava a CPMI? O nome mais citado é o próprio Davi Alcolumbre. O senador ignorou sucessivos pedidos de leitura de requerimentos e chegou a afirmar que se trata de ato discricionário, mesmo contrariando o regimento que prevê a criação automática do colegiado quando há assinaturas mínimas — um precedente usado contra os governistas em outras oportunidades. A avaliação de bastidores é de que Alcolumbre age como uma barreira política para blindar aliados de uma comissão que poderia respingar em diversas lideranças do Congresso em ano eleitoral.
A imprensa também mostrou que o argumento da oposição perde força quando os pedidos de investigação são escrutinados. Atualmente, existem até seis propostas diferentes para investigar as fraudes do Master. O PT, longe de se opor, já definiu uma linha de confronto: usar as redes sociais para associar as fraudes de Daniel Vorcaro à família Bolsonaro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sob o mote #Bolsomaster.
Enquanto Lindbergh Farias aciona o Supremo e Uczai quebra o protocolo na Câmara, a oposição tradicional ainda busca se explicar diante de áudios vazados e mensagens que expõem uma relação promíscua com o banqueiro preso. Nesse cenário, o discurso de que “o PT é contra a CPMI” se revela como tentativa desesperada de desviar o foco das reais ligações entre o escândalo financeiro e o clã Bolsonaro.
Com informações de Congresso em Foco, Portal do PT, G1, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Metrópoles, Brasil 247 ■