Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Alcolumbre barra CPMI do Master
Presidente do Congresso se recusa a instalar comissão mista para investigar Banco Master, apesar de pressão de oposição e governistas
Politica
Foto: https://media.gazetadopovo.com.br/2026/05/21145303/davi-alcolumbre-sessao-congresso-21-05-2026-foto-andressa-anholete-agencia-senado-660x372.jpg.webp
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 22/05/2026

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), descartou nesta quinta-feira (21) a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as fraudes bilionárias do Banco Master. A decisão ocorreu durante sessão conjunta da Câmara e do Senado que analisava vetos presidenciais, apesar da pressão de mais de dez parlamentares tanto da oposição quanto da base governista, que apresentaram questões de ordem exigindo a leitura dos requerimentos para a criação da comissão.

Atualmente, tramitam na Mesa Diretora do Congresso Nacional pelo menos cinco pedidos de abertura de CPMI para apurar o escândalo do Banco Master. As solicitações incluem uma comissão mista, um pedido protocolado na Câmara dos Deputados e três no Senado Federal. Além disso, há duas ações no Supremo Tribunal Federal (STF) que buscam obrigar o Parlamento a instalar o colegiado: uma movida pela oposição e outra por parlamentares governistas.

Diante da pressão, Alcolumbre respondeu com argumentos regimentais, afirmando que a definição da pauta e a leitura dos requerimentos são prerrogativas exclusivas da presidência do Congresso. O senador ressaltou que a sessão foi convocada prioritariamente para deliberar sobre vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que impactam diretamente os municípios brasileiros, especialmente aqueles relacionados à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. Em suas declarações, Alcolumbre classificou a leitura como um “ato discricionário” da Mesa Diretora, conforme o artigo 156 do Regimento Interno do Senado.

Em tom institucional, Alcolumbre pediu desculpas aos congressistas pelo não atendimento, justificando a necessidade de priorizar a pauta dos vetos, considerada urgente para garantir repasses federais a mais de cinco mil municípios inadimplentes. “Milhares de prefeitos do Brasil estão precisando de um gesto do Congresso para deliberação dessa pauta. Peço a compreensão. Peço desculpa a Vossas Excelências por não atender a demanda solicitada por mais 11 congressistas nessa sessão em relação a outro tema que não estava previamente estabelecido na pauta de deliberação”, declarou.

A recusa de Alcolumbre gerou reações imediatas nos plenários. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, subiu à tribuna para defender a instalação da CPMI, desafiando publicamente o banqueiro Daniel Vorcaro a depor. “É necessária a instalação da CPMI do Master. Faço um desafio: quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados no banco da CPMI, explicando qual era a relação deles com Flávio Bolsonaro, Lula e Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer, nada a esconder”, disparou o senador.

Do lado governista, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também pressionou a presidência e desafiou Alcolumbre. “Vossa Excelência não vai conseguir ficar sentado em cima dessa CPI”, afirmou o deputado, citando precedentes judiciais, como decisões do STF de 2007 e 2021, que obrigaram a leitura de requerimentos de comissões parlamentares de inquérito pelo Congresso.

Nos bastidores do Congresso, a avaliação é de que a abertura da CPMI enfrenta baixíssima probabilidade. Parlamentares de diferentes espectros políticos apontam que o principal obstáculo continua sendo Alcolumbre, que atua como uma “força oculta” para travar as investigações. O argumento oficial de seus aliados é a proximidade do calendário eleitoral, que exige cautela na criação de novas comissões de inquérito, pois elas poderiam ser capitalizadas politicamente. No entanto, circulam nos bastidores teses de que a CPI do Master contraria interesses pessoais de Alcolumbre, que chegou a se reunir com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também já demonstrou pouca disposição para avançar com o tema, sinalizando que os pedidos de investigação sobre o Master receberão “tratamento regimental”, entrando na fila de outras 17 solicitações de CPI já protocoladas, o que na prática enterra qualquer possibilidade de instalação.

O caso do Banco Master ganhou novos contornos após a divulgação, pela imprensa, de áudios e mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. As gravações revelam cobranças de recursos financeiros para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, elevando a pressão política pela transparência das investigações. O banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2024, e Vorcaro está preso desde março de 2026, acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema bilionário de fraudes que pode alcançar R$ 12 bilhões.

O impasse sobre a CPMI do Master promete continuar ocupando as discussões políticas, enquanto a oposição e setores do governo estudam novos recursos ao Supremo Tribunal Federal para forçar a instalação das investigações. A expectativa agora se volta para o desenrolar das ações judiciais em tramitação e para o impacto do caso nas eleições de 2026, que decidirão a Presidência da República e renovarão o Congresso Nacional.

Com informações de JB, UOL, Gazeta do Povo, Correio Braziliense, Congresso em Foco, SBT News, G1, O Globo, Estadão, Poder360, CNN Brasil, Metrópoles ■

Mais Notícias