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PT assinou dois pedidos de CPI e CPMI do Banco Master
Em meio à cortina de fumaça da direita, PT assina CPIs sérias do Banco Master e escancara o caráter de blindagem do pedido de Carlos Jordy
Analise
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■   Bernardo Cahue, 21/05/2026

O Partido dos Trabalhadores (PT) assinou os pedidos de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo financeiro que pode chegar a R$ 12,2 bilhões. A assinatura dos documentos protocolados por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS) coloca o partido em posição favorável à abertura das investigações, mas a manobra expõe o que realmente está por trás da cortina de fumaça da direita.

Nas últimas semanas, uma campanha difamatória nas redes sociais tentou vender a narrativa mentirosa de que o PT estaria boicotando as investigações. No entanto, dados oficiais comprovam o contrário. A assinatura do partido está em duas frentes principais que visam uma apuração imparcial e técnica. A primeira delas é o Requerimento de Instituição de CPI (RCP 1/2026) do deputado Rodrigo Rollemberg, com foco em suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades nas operações entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). O pedido, protocolado em março, já contava com 201 assinaturas, superando o mínimo necessário de um terço dos deputados. A segunda é a CPMI proposta pelas deputadas Heloísa Helena e Fernanda Melchionna, que reuniu 181 assinaturas de deputados e 35 de senadores, também ultrapassando o número necessário para instauração automática [13].

Ao apoiar as propostas de Rollemberg, Heloísa Helena e Fernanda Melchionna, o PT sinaliza que está disposto a investigar a fundo as relações obscuras do Banco Master, especialmente seus tentáculos com o bolsonarismo, como a ligação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro. A movimentação ganhou força após a Polícia Federal mirar o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, na Operação Compliance Zero. Essas ações mostram que o PT não apenas quer a CPI, mas quer uma CPI que investigue os reais responsáveis pelo esquema de corrupção que se descortina.

Por outro lado, a legenda optou por não subscrever o pedido de CPMI apresentado pelo deputado Carlos Jordy. A justificativa é clara: a proposta do bolsonarista tem um caráter nitidamente político, com o objetivo de desgastar o governo Lula e blindar o núcleo duro da família Bolsonaro, que está sendo cada vez mais encurralada pelas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público. E o histórico do parlamentar do PL-RJ não poderia dar mais razões à decisão do PT.

A trajetória de Carlos Jordy é, no mínimo, controversa e beira o criminoso em diversas passagens. Antes de se eleger deputado federal, Jordy foi um dos líderes da Torcida Jovem do Flamengo em Niterói, conhecida por seu perfil extremamente violento e envolvimento frequente em conflitos de torcidas organizadas. A fama de violento o acompanhou durante a carreira política, consolidando um perfil intimidador e nada republicano.

O auge de sua irresponsabilidade, no entanto, aconteceu durante a pandemia de Covid-19. No primeiro final de semana de lockdown na cidade de Niterói, Jordy convocou e liderou uma passeata bolsonarista na Praia de Icaraí. A aglomeração criminosa é apontada como a responsável pela primeira grande onda da doença no município. Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostraram que, na semana seguinte ao protesto, a região de Icaraí concentrava 48,5% dos casos confirmados e 4 das 10 mortes registradas na cidade. Por conta disso, Jordy ficou conhecido nas redes sociais como o "disseminador" do novo coronavírus.

O histórico de Jordy na Câmara de Vereadores de Niterói também é lamentável. Ele foi um dos únicos três vereadores a votar a favor da abertura do processo de impeachment contra o então prefeito Rodrigo Neves (PDT), preso preventivamente por 30 dias sob acusações de corrupção. O pedido de impeachment, no entanto, foi rejeitado por unanimidade pela Câmara, com 16 votos contrários, 3 a favor e uma abstenção. Rodrigo Neves foi inocentado das acusações, comprovando o caráter persecutório e político da tentativa de impeachment de Jordy, que já naquela época agia para perseguir adversários com base em factoides.

Já como deputado federal, Jordy não decepcionou em seus escândalos. A imprensa revelou que o parlamentar usou dinheiro público da cota parlamentar para pagar corridas de Uber, entre elas, uma para uma "casa de entretenimento adulto" em São Paulo, a famosa Scandallo Lounge. Em sua defesa, Jordy afirmou que um assessor, cujo nome não soube informar, foi o responsável pelas solicitações. Além disso, seu gabinete é alvo de investigações sobre irregularidades na utilização de verbas para aluguel de carros de luxo, em mais um caso de uso questionável do dinheiro do contribuinte.

A negativa do PT em assinar o pedido de CPI de Jordy, portanto, não pode ser interpretada como uma tentativa de obstrução, mas sim como um recusa em endossar um instrumento de blindagem da extrema-direita. Enquanto isso, a campanha de fake news da direita continua a tentar enganar a população, insistindo na mentira de que o partido não apoia as investigações. A realidade, no entanto, é bem mais nua e crua: o PT assinou as CPIs sérias, e a direita, que tem no Banco Master um de seus principais escândalos, quer uma comissão para desviar o foco e atacar adversários, não para apurar os fatos.

Com informações de Poder360, Gazeta do Povo, Congresso em Foco, Jornal de Brasília, O Sul, Revista Fórum, O Globo, G1, SBT News, UOL, Estadão, Metrópoles, Jornal do Brasil, ICL Notícias e Agência Senado ■

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