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A Polícia Federal realizou nos últimos dias a substituição do delegado que comandava a investigação sobre o esquema de fraudes previdenciárias envolvendo o INSS. A troca foi confirmada após uma série de controvérsias em torno da condução do caso, que estaria sendo direcionada para perseguir o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
O delegado afastado era vinculado à área de Previdência da PF e gozava da confiança do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração, que originalmente mirava um rombo de mais de R$ 5 bilhões nos cofres da Previdência, teria sido desviada para investigar Lulinha e seus amigos, sem que houvesse elementos concretos contra eles. Houveram quebra de sigilos do empresário e a tentativa de convocá-lo para depor sem justa causa.
O antigo delegado atuava em conluio com integrantes da CPMI do INSS, que teriam fraudado uma votação no Senado para quebrar os sigilos de Lulinha e vazar os dados à imprensa, especialmente à TV Globo, com o objetivo de insinuar irregularidades.
Diante da paralisia e do direcionamento considerado suspeito, a cúpula da Polícia Federal, possivelmente a pedido do ministro da Justiça Andrei Rodrigues, decidiu transferir o inquérito para a área denominada SINC – setor responsável por investigações vinculadas ao Supremo Tribunal Federal. A mudança se justifica porque o caso passou a envolver pessoas com foro privilegiado, o que exige competência do STF.
Com a troca, o novo delegado não é da confiança de André Mendonça, que já demonstrou desconforto público. Mendonça já soltou informações para a CNN Brasil e convocou uma reunião com a nova equipe para conhecer os investigadores. A mudança é vista como um possível ponto de inflexão para que a apuração deixe de mirar exclusivamente a esquerda e passe a alcançar figuras da extrema direita.
Ainda há conexões não totalmente esclarecidas, mas que podem cruzar a fraude do INSS com outros escândalos, como o caso Banco Master e as operações contra o senador Flávio Bolsonaro. O principal alvo da investigação, apelidado de “careca do INSS” (o empresário preso na Operação Última Ratio), tem um sócio em um paraíso fiscal – as Ilhas Virgens Britânicas – que é irmão de uma sócia do senador Flávio Bolsonaro no escritório localizado na mansão do parlamentar. Essa mesma mansão teria sido comprada por meio de um fundo usado pelo Banco Master para pagar propina em imóveis.
A expectativa levantada é que, nos próximos dias, a investigação do INSS avance no sentido de alcançar diretamente Flávio Bolsonaro ou sua sócia, o que indicaria um rompimento definitivo de Mendonça com o bolsonarismo. Até o momento, porém, o delegado responsável pelo inquérito do Banco Master permanece o mesmo, mantido como homem de confiança do ministro do STF.
Em resumo, a troca de delegado representa uma guinada na apuração da maior fraude previdenciária do país, que até agora servia para perseguir opositores, e agora pode finalmente mirar os verdadeiros responsáveis.
Principais alegações sobre a investigação:
Com informações de Plantão Brasil ■