Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) deixada por Luís Roberto Barroso, tomou conta do cenário político nesta quarta-feira (29). A sessão, realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, foi marcada por declarações contundentes do postulante, que abordou desde os ataques golpistas de 8 de janeiro até sua visão sobre o papel da Corte e sua identidade religiosa.
Ao longo de horas de questionamentos por parte dos 27 senadores da comissão, Messias traçou seu perfil como um magistrado que pretende pregar o equilíbrio entre os Poderes, com um discurso frequentemente classificado como de “pacificador” para o tribunal. A expectativa é de que a sabatina, que antecede a votação no plenário do Senado, resulte em uma aprovação apertada, com o governo projetando algo entre 46 a 48 votos favoráveis.
Visão sobre o 8 de Janeiro e resposta a Flávio Bolsonaro
Questionado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Jorge Messias referiu-se aos ataques de 8 de janeiro de 2023 como “um dos episódios mais tristes da história recente” do Brasil. Ele negou ter pedido a prisão preventiva dos envolvidos, esclarecendo que sua atuação à frente da Advocacia-Geral da União (AGU) se limitou a requerer prisões em flagrante para proteger o patrimônio público. Messias admitiu o uso incorreto de termos técnicos no passado e afirmou que, se aprovado, não se declarará impedido de julgar os processos, defendendo punições proporcionais dentro da legalidade. O indicado também sublinhou que a AGU não foi omissa na reparação dos danos, lembrando que o órgão ajuizou 26 ações e recuperou cerca de R$ 26 milhões para a reconstrução do patrimônio público.
“Sou evangélico, mas tenho clareza de que o Estado é laico”
Em um dos momentos mais comentados da sabatina, Messias abordou sua trajetória religiosa. “Sou evangélico, mas tenho clareza de que o Estado é laico”, declarou o indicado, que se apresenta como “servo de Deus”. Embora tenha afirmado que sua fé salvou sua vida e que teve a “fortuna de nascer numa família de evangélicos”, Messias foi enfático ao garantir que a administração pública e a Justiça devem ser neutras em relação a todas as crenças ao aplicar a Constituição, separando sua convicção pessoal de sua atuação institucional.
Críticas ao ativismo judicial e defesa de um STF aberto a mudanças
Durante a sabatina, Messias realizou duras críticas àquilo que chamou de “ativismo judicial”. Para o advogado-geral, a postura expansiva do Judiciário representa uma ameaça ao princípio da separação dos Poderes. “Na minha visão, entendo que o Supremo Tribunal Federal não deve ser o ‘Procon da política’. Não é o espaço do STF”, afirmou, em uma fala que repercutiu amplamente entre os senadores.
Messias também declarou que o STF “deve se abrir a mudanças” e que a “democracia começa pela ética dos juízes”. “A credibilidade da Corte é um compromisso e uma necessidade. A percepção pública de que Cortes Supremas resistem à autocrítica tende a pressionar a relação entre a jurisdição e a nossa democracia”, completou.
Currículo e trajetória do postulante
Natural de Recife (PE), Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 46 anos e é formado pela Universidade Federal de Pernambuco, com mestrado e doutorado pela Universidade de Brasília. Servidor de carreira, é procurador da Fazenda Nacional desde 2007. No serviço público, já atuou em órgãos como o Banco Central e o BNDES.
Em 2025, Messias foi oficialmente indicado para a vaga do ministro Barroso, que se aposentou em outubro daquele ano. A indicação, no entanto, só foi formalizada em abril de 2026, após um longo período de articulação política que incluiu resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Outras declarações de destaque na sabatina
Além dos temas principais, o indicado posicionou-se sobre outros assuntos sensíveis:
Próximos passos e expectativa de votação
Após a sabatina na CCJ, a indicação de Jorge Messias seguirá para votação no plenário do Senado, onde precisará do apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores para ser aprovada. A votação será secreta. Líderes do governo, como o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), projetam entre 46 e 48 votos favoráveis. Se confirmado, Messias assumirá uma cadeira na Suprema Corte em um momento de forte tensão entre o Judiciário e o Legislativo, com embates recentes sobre o alcance de CPIs e pedidos de investigação.
Com informações de G1, Gazeta do Povo, Agência Brasil, BBC News Brasil, Metrópoles, Correio Braziliense, Portal do Senado, Folha de S.Paulo, Wikipedia e ConJur ■