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Motivação para segundo atentado contra Trump em dois anos ainda é incerta, apontam investigações
Após tiroteio em jantar de correspondentes da Casa Branca, FBI vasculha celular e redes sociais de Cole Tomas Allen, de 31 anos, mas ainda não encontra manifesto ou filiação a grupos; suspeito teria como alvo integrantes da administração Trump, diz procurador-geral interino
America do Norte
Foto: https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/9f82/live/da949d00-4114-11f1-b444-51ad07313543.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 26/04/2026

As investigações sobre a motivação do homem que abriu fogo no jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no sábado (25), em Washington, ainda estão em estágio inicial, e as autoridades americanas permanecem sem uma resposta clara sobre o que teria levado Cole Tomas Allen, de 31 anos, a tentar invadir o salão onde o presidente Donald Trump e cerca de 2,3 mil convidados participavam da cerimônia. O caso expõe um padrão que tem desafiado as forças de segurança nos Estados Unidos: o predomínio de atacantes isolados, sem vínculos formais com grupos extremistas, cujos atos são impulsionados por uma combinação de desavenças políticas, problemas de saúde mental e radicalização online.

Em entrevista à rede norte-americana "CBS", o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou no domingo (26) que, com base nas investigações preliminares, acredita-se que o suspeito "tinha como alvo membros da administração". No entanto, Blanche acrescentou que "nenhuma motivação adicional é conhecida" até o momento. O chefe interino de polícia do Distrito de Columbia, Jeffery Carroll, também declarou que "é muito cedo para determinar quem o suspeito pretendia atingir", e a polícia local afirmou que nenhum motivo foi estabelecido. Até este domingo, nenhum manifesto político ou carta de intenções havia sido encontrado pelas autoridades.

O presidente Donald Trump, que foi retirado às pressas do salão por agentes do Serviço Secreto, minimizou as conexões políticas do suspeito em entrevista coletiva na madrugada de domingo. "Minha impressão é que ele era um lobo solitário maluco", declarou Trump, acrescentando que o atirador é "uma pessoa muito doente". Logo após o incidente, o presidente compartilhou em sua rede Truth Social imagens de câmeras de segurança que mostram o suspeito correndo na direção de agentes armados, segundos antes da troca de tiros.

O silêncio das autoridades contrasta com a atividade nas redes sociais de Cole Tomas Allen. De acordo com uma revisão da Free Beacon, Allen republicou, em sua conta na plataforma Bluesky, postagens que defendiam que o presidente Trump deveria ser "imediatamente removido do cargo e julgado por altos crimes". Em outros posts, o suspeito também criticou um lenço usado por jornalistas em apoio à Primeira Emenda, chamando-o de "bandeira branca que ninguém consegue ler". Seu perfil, agora suspenso, republicava conteúdo classificado como de esquerda radical e, segundo a Free Beacon, Allen também utilizava a conta "coldforce" em diversas plataformas online.

  • Os investigadores encontraram um doação de US$ 25 feita por Allen a um comitê de arrecadação que apoiava a campanha presidencial da democrata Kamala Harris em 2024.
  • Nas publicações do suspeito, ele pedia a "abolição da ICE" (agência de imigração dos EUA) e se referia a um centro de processamento de imigrantes no Texas como um "campo de concentração".
  • Em um de seus posts mais recentes, o suspeito se referiu ao aliado de Trump, Elon Musk, de forma ofensiva, pedindo sua deportação.

Apesar das evidências de um viés político, as autoridades tratam o caso até o momento como uma ação isolada. "Ele não está cooperando ativamente", disse Blanche sobre o estado do interrogatório. A investigação segue sob sigilo, enquanto agentes do FBI cumprem mandados de busca na residência do suspeito em Torrance, subúrbio de Los Angeles, a sudoeste de Los Angeles.

Os investigadores agora tentam reconstruir o itinerário de Allen antes do ataque: de acordo com Blanche, o suspeito viajou de trem de Los Angeles a Chicago e, posteriormente, de Chicago a Washington, onde se hospedou no Washington Hilton um ou dois dias antes do atentado. A polícia confirmou que ele portava uma espingarda (shotgun), um revólver e várias facas no momento da detenção. A perícia também busca determinar a origem das armas — segundo Blanche, elas parecem ter sido "adquiridas nos últimos dois anos". Allen, que foi baleado durante a intervenção e está hospitalizado sob custódia, deve comparecer ao tribunal federal em Washington na segunda-feira (27) para ser formalmente acusado.

A incerteza sobre a motivação do atirador levou a Casa Branca a reforçar os pedidos de pacificação. "Peço que todos os americanos se comprometam novamente a resolver nossas diferenças pacificamente", declarou Trump em coletiva, ao lembrar que sobreviveu a duas tentativas anteriores de assassinato. Ele descartou, no entanto, que o ataque tenha ligação com o Irã. "Ele era um lobo solitário, e acredito nisso", concluiu o presidente.

Com informações de The Associated Press (AP), BBC News, The Irish Times, G1, Euronews, Folha de S.Paulo, Middle East Eye, Channels Television, Free Beacon, SBT News, The Washington Free Beacon ■

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